Mostrando postagens com marcador Psicologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Psicologia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Diante do fim

                                      

              Estou com câncer. Se chama dermatofibrosarcoma protuberans. É bem raro. No meu caso, ele está nas costas, na parte interna. Terei de realizar uma cirurgia delicada em breve. Essa situação me vem acompanhando há algum tempo e eu não sabia. Somente quando tirei uma parte do suposto tumor que vem me doendo desde o ano passado é que veio o diagnóstico após uma biópsia. 

             Dei um tempo das redes sociais. De todas. Algumas eu deletei, outras tirei o aplicativo. Parei de escrever. Apenas me dedico ao trabalho e à família. Não sei o que me espera em breve. No momento, as dores me acompanham, como num compasso musical, fazendo das minhas costas uma partitura para sua lenta e agoniante música.

                E nessa ausência virtual me percebi sozinho. Eu, que sempre chamava os amigos para conversar, parei de fazê-lo. E a resposta foi o silêncio. Ninguém notou minha ausência. Vi que não era tão especial assim como eu pensava para as pessoas. Ou talvez eu tenha errado na minha vida social, a ponto das pessoas realmente terem se aliviado da minha falta. Tanto que acredito não ter leitores para essas linhas, e, mesmo que alguém leia, dificilmente irá entrar em contato comigo.

               Por isso, no fim, sempre seremos só nós. O eu e o eu. Nascemos de um encontro, mas morremos no desencontro. A tal da empatia é apenas um conceito usado para aliviar as pessoas de uma culpa, pois ninguém realmente sabe da dor. É só aquele que sente.

                O título dessa reflexão, Diante do fim, é uma  alusão ao título de meu primeiro livro. Essa frase sempre me chamou a atenção. Desde o nascer, o fim nos acompanha. Na verdade, ele é uma espera constante, onde um pequeno cair de ombros, um deslize, um descuido, o recebe.




domingo, 16 de julho de 2023

Relacionamentos em tempos de redes sociais



      Cada vez está mais difícil viver um relacionamento saudável. Ao contrário do que muitos pensam, apesar das redes sociais encurtarem as distâncias, elas nos deixaram mais vulneráveis às tentações contemporâneas.
     Tudo é muito líquido (parafraseando a teoria famosa de Baumann): conhecemos hoje, passamos juntos os momentos maravilhosos... quando o relacionamento cai na "mesmice", facilmente pendemos para o campo virtual a fim de salvá-lo do quase certo rompimento. Perdemos tempo virtualmente enquanto o carinho e afeto são menosprezados, pois o que poderia ser resolvido por um abraço é agora "discutido" no messenger.
       É certo que estamos mais "juntos". Pois você vê o ser amado online, troca mensagens no whatsapp a hora que quer. Porém matamos a individualidade e demos lugar ao controle virtual.
     Isso é muito prejudicial. O velho ditado, "quem procura, acha", acaba se concretizando de modo terrível em diversas situações: comentários e curtidas em fotos que não se esperam, retorno de pessoas que estavam "apagadas" da vida, papos "estranhos" no messenger... e por aí vai.
      Até o luto e o adeus do rompimento não são mais vividos: troca-se de amor como se troca de camisa, interrompe-se o processo de reconstrução e reflexão pessoal. Tornamo-nos mais ansiosos, controladores e ciumentos, potencializados por uma rede que faz nos bisbilhotar o ser agora ausente nas vida real que encontra-se online no mundo virtual.
      Redes sociais são ruins para o relacionamento? É uma ponderação que necessita ser feita para o casal que se ama. Alguns afirmam que ela está apenas revelando quem o ser humano é, devido a excessiva liberdade e poder que dá ao ser humano individual. Outros, porém, colocam em cheque até que ponto a felicidade ganhou com essa neurose coletiva do "estar online" e "se mostrar online".
                 Amar em tempos de redes sociais requer uma vigilância pessoal constante, autocontrole e, com relação ao coração, preparar-se mais para perdas do que ganhos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

O poder da imagem do ser amado

          
           A imagem da pessoa amada é tão forte que ela perdura mesmo depois do término, do luto, do adeus. Por isso dissemos que nos apaixonamos pela imagem de alguém do que propriamente pela pessoa. Amamos o que a pessoa nos representa. A imagem é o ideal.

            Pensemos nos dois sentidos de imagem: 
           1) aquilo que aparece ser;
           2) e no sentido literal (fotos, etc.).

Quando conhecemos alguém, percebemos primeiramente aquilo que aparece da pessoa: aparência física, gestos, palavras. Tudo isso pode ser a pessoa como não pode ser. Lembrando que tudo acaba sendo um ponto de vista, muitas vezes acabamos tendo uma percepção tão pessoal, mas tão pessoal, que podemos ser cegados a ponto de não perceber outros valores e/ou problemas que as pessoas podem nos mostrar.

            
   As imagens objetivas também possuem um poder extremo. Só conseguimos nos libertar de alguém quando nos desapegamos da imagem dela. Quando falo imagem digo sim as fotos, porta-retratos, etc. Das pessoas que aconselhei percebi que só conseguiam uma libertação praticamente completa do seu antigo relacionamento quando finalmente resolviam apagar as fotos das redes sociais, celular e computadores. Um rompimento doloroso, que muitas vezes não quer ser feito, mas que será necessário em um determinado momento.

            Por que nos apegamos tanto à imagem? A imagem é o ser que permanece. Por isso o catolicismo possui em suas igrejas as imagens de santos, os hindus possuem estátuas de seus deuses para simbolizar que eles ainda estão “vivos”. A imagem é isso: um símbolo. O termo símbolo vem do grego e significa “aquilo que une” (é o contrário da palavra diabo, originária do grego e que significa “aquilo que desune”). Nosso psicológico se apega tanto à imagem da pessoa amada que leva um certo tempo para desvencilhar-se dela. A imagem me faz unido à pessoa, faz dela eterna. É um quadro bonito que pintei e não quero que se rasgue, pois o dia que eu rasgar, terei que jogar fora para sempre.

sábado, 22 de outubro de 2016

Há amores que só existem para um dia

      


      Quantas vezes sentimos saudade de um amor de verão? Essa conhecida expressão traz à tona todos aqueles amores que vivemos e foram suficientes para um período limitado de nossa vida.
        Quem nunca os viveu? Há amores de poucas horas, de um dia, de um mês, de um ano. Se foram, mas não deveríamos pensar os motivos de não tê-los mais, porém agradecer pelos momentos e pela intensidade neles vivida.
         Pode ter sido numa viagem, nas férias, ou até mesmo durante um pequeno café. Um retiro, um final de semana entre amigos, ou apenas um único momento que jamais será apagado das mentes.
         Há realmente amores que não servem para ficar a vida inteira. Eles são intensos e servem para um determinado momento da nossa vida. Para montarmos pedacinhos de felicidade. Para olharmos no passado e termos motivos para sorrir.

      Esses amores temporários nos construíram na nossa personalidade atual. Provavelmente não iriam mais adiante por uma série de fatores que só nos conhecemos. Mas sabemos que seremos certamente gratos a eles. Serão nossos motivos para olhar o passado e saber que fomos felizes, mesmo que em poucos momentos.




"Nada há mais suave na vida do que um jovem sonho de amor. A cada minuto,  vida  recomeça."(São Thomas Morus)

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Amar no silêncio




            Há algum tempo venho refletindo sobre o amor no silêncio. É prática de amor mais sacrificial que existe para o ser humano. Amar no silêncio é suportar diversas situações, distância, rompimentos, e o mais desafiador: o tempo. Pois sejamos sinceros: muitas vezes não queremos esquecer quem amamos.

           Nas minhas desastradas experiências amorosas, tive que fazer inúmeros sacrifícios. Não é fácil amar uma pessoa quando ela se vai. Não sabemos nem por onde começar, nem o que fazer de um ponto em diante. Amar no silêncio é um desafio a nós mesmos, é consagrar nosso sentimento ao tempo e pedir que ele se encarregue do resto.

       Isso pode soar de modo religioso, mas é uma forma de transcender o sentimento para a temporalidade. Pois, quando amamos de forma comum, nos tornamos extemporâneos: é o sentimento de eternidade que toma conta de nós e, quando ele é rompido, causa um enorme prejuízo a nós mesmos. Amar no silêncio é subjugar o sentimento ao tempo, deixar que os dias e as noites possam tomar conta do que se passa no coração. É a encarnação da renúncia.
         
             É paradoxal deixar que o sentimento se torne algo temporal se não queremos esquecer, já que o tempo é corrupção e finitude. Não sejamos ingênuos: até o amor que dura uma vida um dia termina, seja quando a morte chegar. Todo amor é passível pela temporalidade, mas mascaramos com a eternidade para criar uma cega esperança.

         
        Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897) dizia que a melhor forma de se amar uma pessoa é rezar por ela. Ou seja: é não possuir ninguém no coração, é deixar que os dias possam tocar adiante para que o ser amado por nós jamais seja destruído em nossas mentes.

     

         Amar no silêncio é carregar uma existência concreta. Não criar expectativas e ser realistas. Saber que há distância, rompimento, fim, morte, adeus e outras tristes realidades. É dizer "eu te amo" e deixar que as horas levem essas palavras, mas dessa vez sem que doam.


sábado, 10 de outubro de 2015

Entre o grande amor e o verdadeiro amor

         Ninguém vai ficar com o grande amor de nossas vidas. É sério. O grande amor é tão intenso que devido a esse seu próprio poderio um dia irá explodir. Deixará eternas marcas, sejam positivas ou negativas. Vamos ficar sim é com o verdadeiro amor de nossas vidas.
            Quem foi o grande amor de nossas vidas? Todos temos um grande amor sim! Pode ter sido o primeiro beijo, a primeira relação, pode ter sido aquele(a) que vivemos os momentos mais intensos lado a lado, quando choramos sem parar de saudades, quando a dor da falta foi tão grande a ponto de nos derrubar. Por esse amor corremos riscos, fazem-se coisas proibidas! O grande amor tem a capacidade de, passados muitos anos, sua lembrança estremecer em nossas mentes por muitos e muitos anos. Os momentos vividos lado a lado serão inesquecíveis, e sim, podemos tirar mais coisas boas do que ruins deles. Pois de alguma forma, o grande amor nos moldou e nos preparou para o verdadeiro amor.
            Um corredor, quando dispara logo de início, perde o fôlego no meio do caminho. Assim é o grande amor. Estamos empolgados que logo nos entregamos de corpo e alma aqueles mágicos e preciosos momentos. Infelizmente chegará o momento que nossa mente e nosso corpo visualizará o fim disso tudo. E de fato, o fim do grande amor é trágico. Machuca, corrói, mata a alma. Experimentamos a queda ao inferno, noites mal dormidas, pesadelos e bebedeiras históricas que acreditamos sanar parcialmente aquela dor. Curtimos esse luto por um longo período. E isso nos fará crescer e nos estabilizará.

              Acontece que quando vivemos o grande amor, não somos seres completos. Claro que nunca seremos, mas a intensidade do amor na brevidade do tempo nos faz olharmos para o momento, sem projetar, sem planejar, levando conosco muitas imaturidades adiante. Ao curar-se de um grande amor, aprendemos a olhar para nós mesmos, construir sonhos, viver a humanidade.

            Então aparece o verdadeiro amor. Não sabemos a forma que ele existe, mas o verdadeiro amor é o que nos garante a estabilidade e dá a segurança necessária para de fato cumprir aquele mandamento religioso dito um dia por Jesus: “Ame o próximo como a ti mesmo.” Com o verdadeiro amor, aprendemos a amar alguém sem deixar de amar a si mesmo. O verdadeiro amor ajudará cada um a construir o próprio sonho, e não infringindo num princípio muito importante: a liberdade. O verdadeiro amor é a liberdade plena, e por isso que casais estáveis, se tornam de fato uma grande unidade. 

            O grande amor jamais sairá de nossas mentes. Mas o verdadeiro amor será concretamente eterno.


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Diante do vazio

        Há muitos momentos da vida que você com certeza deve ter se deparado com vazios existenciais, mesmo depois de passar por grandes sofrimentos e achar que então iria colher novos frutos.
            Somos acostumados a lidar com a dualidade Cruz e Ressurreição. Que sofremos muito, e logo após o sofrimento vem a bonança. Aí quando ocorrem as esperas, o vazio que nos angustia, não sabemos para onde correr. Mas um episódio bíblico pode nos ajudar a compreender esse fato.


        Lucas 20,11-18: “Maria estava junto ao sepulcro, de fora, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para o interior do sepulcro e viu dois anjos, vestidos de branco, sentados no lugar onde o corpo de Jesus fora colocado, um à cabeceira e outro aos pés.  Disseram-lhe então: ‘Mulher, por que choras?’ Ela lhes diz: ‘Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram!’  Dizendo isso, voltou-se e viu Jesus de pé. Mas não sabia que era Jesus.  Jesus lhe diz: ‘Mulher, por que choras? A quem procuras?’ Pensando ser ele o jardineiro, ela lhe diz: ‘Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar!’ Diz-lhe Jesus: ‘Maria!’. Voltando-se, ela lhe diz em hebraico: ‘Rabbuni!’, que quer dizer ‘Mestre’. Jesus lhe diz: ‘Não me retenhas, pois ainda não subi ao Pai. Vai, porém, a meus irmãos e dize-lhes: Subo a meu Pai e vosso Pai; a meu Deus e vosso Deus’.  Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: ‘Vi o Senhor’, e as coisas que ele lhe disse”

            O texto fala de Madalena diante do túmulo. Uma espera rápida, mas que veio de 3 longos dias. 3 dias que foram uma eternidade. Quando se ama, a saudade é mais intensa. A ansiedade diante do vazio, do que viria a ser sua vida diante do Amor que talvez não existe mais.
            O talvez. Aprender a lidar com o talvez é um processo de constância. O talvez é o que nos deixa muitas vezes no vazio. Diante do túmulo, Maria Madalena ficou no talvez. Suas lágrimas quase ofuscaram a presença do Mestre que ali pertinho estava.



            Nossa dor é um processo. Começa na Cruz, sepulta-se no túmulo, mas é transformada pela Ressurreição. Somos seres da Ressurreição, não túmulos. Esses são para os mortos apenas, não para nós vivos, criados para o Amor.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Sexo, religião e costumes - artigo de Pe. Zezinho, SCJ

          
             A realidade dos heterossexuais, dos gays, dos homossexuais e das lésbicas é mais do que uma questão. São muitas questões.
            Na humanidade, desde que apareceu esta forma de desejo e de afeto, todos, sem exceção de ninguém, tiveram que se posicionar. Este afeto existia. E não era possível reduzir o fato à prostituição , desvio da natureza, ou sem vergonhice.
            A maioria não escolheu, desde a adolescência ou juventude enveredar em direção do mesmo leito. Gostaram de uma pessoa do mesmo sexo e encontraram correspondência. Até porque quem não sente desejos por alguém do mesmo sexo dificilmente compreende o universo desses irmãos e irmãs. É outro outro tipo de afeto.
            O drama dos pregadores de religião é saber onde colocar o amor de Deus e do amor por Deus num coração que absolutamente não sente, nem desejo, nem vontade de amar conjugalmente alguém do outro sexo. Podem até dividir o mesmo espaço, a mesma mesa, mas não o mesmo leito.
            O que o Papa Francisco e outros estudiosos de comportamento humano estão dizendo -e há centenas de estudos sobre sexo, desejo e afeto- é que não se pode jogar todo mundo no mesmo caldeirão ou balaio. A noção de pecado passa pelo querer, mas passa também pelo diálogo e pela caridade.
            Uma coisa é o que as novelas e revistas sensacionalistas mostram, e outra é o que psicólogos e sacerdotes sabem sobre a dor de amar sem poder amar ou amar sem querer amar.
            Ninguém chega a nenhuma conclusão socando comportamento nas pessoas. Houve quem optou por não se entregar a tais afetos. E há muitos que decidem não lutar contra o que sentem .
            Os pregadores e conselheiros precisam de bom conhecimento de Teologia Moral, de Psicologia e às vezes de Psiquiatria porque muitos se desequilibram, tanto quanto héteros também se desequilibram ao perder o homem ou a mulher desejada.
            Não custa pedir ajuda a quem sabe mais. Não são leprosos morais e Deus os ama, embora não concordemos com sua maneira de amar. Mas quem disse que entendemos todas as dores de uma alma? A nós que temos outra visão de sexualidade cabe dialogar se quiserem diálogo. Se não quiserem mesmo assim não temos o direito de ferí-los.
            Que eles saibam que não pensamos do mesmo jeito, mas também que não seremos atiradores de pedras. São nossos irmãos e irmãs que sabem que temos outro jeito de ver o afeto, o amor e a vida.


Pe. José Fernandes de Oliveira, o Pe. Zezinho, é sacerdote da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (dehonianos). Cantor e compositor. Reside em Taubaté-SP.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Santa Teresinha e a cura da depressão, pânico e doenças da alma e/ou psicossomáticas

        
     Santa Teresa do Menino Jesus disse que foi curada, quando era uma criança, do que hoje seria provavelmente diagnosticado como síndrome do pânico. Ela foi curada pelo sorriso da Virgem. A santa escreveu: "13 de maio de 1883, Festa de Pentecostes. Da cama, virei o olhar para a imagem de Nossa Senhora da Santíssima Virgem e... de repente parecia linda, tão linda que eu nunca tinha visto nada assim, seu rosto irradiava bondade e ternura indizível, mas que caiu profundamente em minha alma este ‘sorriso encantador da Santíssima Virgem’. Nesse momento, todas as minhas dores sumiram, duas grandes lágrimas jorraram dos meus olhos e escorregaram no rosto. Eram lágrimas de pura alegria... Ah, pensei, a Santíssima Virgem sorriu para mim, estou feliz ... (...) Foi por causa dela, de suas orações intensas, que eu recebi a graça do sorriso da Rainha do Céu ... ".
        Ela chamou essa imagem de "Virgem do Sorriso", e a invocação começou com sua família. Mais tarde, ela levou a devoção ao Carmelo de Lisieux. No final se espalhou para todas as ordens carmelitas e se espalhou por todo o mundo. Muitas pessoas receberam a cura da depressão e outras doenças da alma, como Teresinha, através desta devoção.



ORAÇÃO à Virgem do Sorriso

Ó Maria, Mãe de Jesus e nossa mãe, 
que com um sorriso claro que você se dignou a confortar 
e curar sua filha Santa Teresa do Menino Jesus da depressão, 
restaurar a alegria da vida 
e do sentido de sua vida em Cristo ressuscitado, 
olhe com carinho maternal muitos 
filhos e filhas que sofrem de depressão, 
transtornos e síndromes psiquiátricas e doenças psicossomáticas. 
Jesus Cristo se importa e dá sentido à vida de tantas
 pessoas, cuja existência, por vezes, se deteriorou. 
Maria, o seu lindo sorriso não deixe que 
as dificuldades da vida obscureça nossa alma. 
Sabemos que só Jesus, seu Filho, pode satisfazer
as ansiedades mais profundos de nossos corações. 
Maria, através da luz que floresce a partir de Seu rosto 
brilhe através da misericórdia de Deus. 
Seus olhos nos acariciar e nos convencer de que 
Deus nos ama e  nunca nos abandona, 
e sua ternura renove em nós a auto-estima, 
confiança em nossas habilidades, 
interesse no futuro e o desejo de viver feliz. 
Os familiares de pessoas que sofrem de depressão ajudem
no processo de cura, não considerando-os nunca atores
 da doença com os interesses de conveniência, 
mas melhorá-los, ouví-los, compreendê-los e exortá-los. 
Virgem do Sorriso, obtenha a nós por Jesus a verdadeira cura 
e nos salve de alívios temporários e ilusórios. 
Curados, temos o compromisso de servir Jesus com alegria , 
disposição e entusiasmo, como discípulos missionários, 
através do nosso testemunho de vida renovada. 
Amém.


          Rezar duas Aves-Marias em honra das duas lágrimas de alegria que entraram no rosto de Santa Teresinha do Menino Jesus, quando foi tocada pelo sorriso da Virgem.



quinta-feira, 28 de maio de 2015

A história de uma rosa especial

               Tudo tem uma história. Conheçam a dessa rosa!


           Quando cheguei no seminário São José, de Rio Negrinho-SC em fevereiro de 2014, onde residi todo o ano passado, uma roseira estava em um vaso debaixo de uma laranjeira. Quase não pegava sol e nunca florescia. Ficou um tempo ali. Alguns meses. Eu passava, a olhava e a cena dela naquele estado questionava-me.
         
Espaço antes da remodelação
 Como eu era o jardineiro do seminário, iniciei uma remodelação do espaço dedicado à Santa Teresinha do Menino Jesus que havia atrás da capela. Plantei ali muitas roseiras e plantas que floresceriam cores vibrantes. Antes era necessário arrancar vários arbustos e mexer a terra várias vezes, adubar, regar.
            Tive então uma ideia ousada: transplantar aquela roseira que ficava debaixo da laranjeira. A planta, já grande, deu um certo trabalho. Ela ficava em um grande balde. Suas raízes estavam apegadas. A roseira, para quem não conhece, é uma planta extremamente sensível. Qualquer ferida ou mau cuidado pode comprometer a planta.
            Enfim, foi plantada no novo lugar. Então veio o medo: suas folhas murcharam e depois caíram todas. Pensei que ia morrer. Mesmo sendo adubada e regada constantemente, eu temia por ela. Tive um pequeno arrependimento em ter tirado ela do seu comodismo.
          Aos poucos suas folhas retornaram. Seu vigor e força vieram devagarinho. Cuidei dela com muito carinho e amor. E após quase 1 mês e meio plantada no novo lugar, ela nos presenteou com essa a linda flor que está no início desse texto.
              Como essa roseira me fez refletir! Quantas vezes somos colocados em situações-laranjeiras, aquelas que exalam um cheiro forte, ou seja, prende-nos pelo sabor e odor delicioso, e ficamos acomodados ali! Pior: acomodamo-nos em baldes pessoais em meio às sombras do passado, enraizados demais que qualquer um que tente nos acordar e arrancar-nos para nos salvar são repelidos violentamente por essa fuga de si mesmo. Sim, somos sensíveis, machucamo-nos fáceis, mas só podemos crescer e remendar os erros na medida que vamos para outras terras, outros sonhos, outros ideais!

         E a luz do sol que reside no sorriso das pessoas em nossa volta, que no começo parece ser estranha, é que dá a energia suficiente para recomeçar.

Espaço na fase final de remodelação, mais colorido e vivo!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Quando nada mais resta


         
         Viktor Emil Frankl (1905-1997) foi um médico psiquiatra austríaco, fundador da escola de psicanálise conhecida como Logoterapia, um método que aborda o existencial e o espiritual do ser humano nas análises. Entre 1942 a 1945, Frankl, recém casado com Tilly Grosser, sofre perseguição dos nazistas, tendo sido preso no gueto de Theresienstadt, e nos campos de concentração de Auschwitz, Kaufering e Türkheim. Sua esposa morreu com 24 anos no campo de Bergen-Belsen em 1944, fato que Frankl somente soube depois de sua libertação pelas tropas estadunidenses.
           Escreveu um maravilhoso livro, que praticamente inicia a escola logoterápica, chamado "Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração", onde relata os horrores e o faz uma análise existencial dos acontecimentos do local. Escolhi um dos mais belos trechos que li desta obra magnífica, onde ele relata que o amor pode salvar o ser humano mesmo nos momentos mais terríveis de sua vida.
Viktor E. Frankl na década de 90

            Enquanto avançamos aos tropeços, quilômetros a fio, vadeando pela neve ou resvalando no gelo, constantemente nos apoiamos um no outro, erguendo-se e arrastando-nos mutuamente. Nenhum de nós pronuncia uma palavra mais, mas sabemos neste momento que cada um só pensa em sua mulher. Vez por outra olho para o céu onde vão empalidecendo as estrelas, ou para aquela região do horizonte em que assoma a alvorada por detrás de um lúgubre grupo de nuvens. Mas agora meu espírito está tomado daquela figura à qual ele se agarra com uma fantasia incrivelmente viva, que eu jamais conhecera antes na vida normal. Converso com minha esposa. Ouço-a responder, vejo-a sorrindo, vejo seu olhar como que a exigir e a animar ao mesmo tempo e – tanto faz se é real ou não a sua presença – seu olhar agora brilha com mais intensidade que o sol que está nascendo. Um pensamento me sacode. É a primeira vez na vida que experimento a verdade daquilo que tantos pensadores ressaltaram como a quintessência da sabedoria, por tantos poetas cantada: a verdade de que o amor é, de certa forma, o bem último e supremo que pode ser alcançado pela existência humana. Compreendo agora o sentido das coisas últimas e extremas que podem ser expressas em pensamento, poesia – e em fé humana: a redenção pelo amor e no amor! Passo a compreender que a pessoa, mesmo que nada mais lhe reste neste mundo, pode tornar-se bem-aventurada – ainda que somente por alguns momentos – entregando-se interiormente à imagem da pessoa amada. Na pior situação exterior que se possa imaginar, numa situação em que a pessoa não pode realizar-se através de alguma conquista, numa situação em que sua conquista pode consistir unicamente num sofrimento reto, num sofrimento de cabeça erguida, nesta situação a pessoa pode realizar-se na contemplação amorosa da imagem espiritual que ela porta dentro de si da pessoa amada. Pela primeira vez na vida entendo o que quer dizer: Os anjos são bem-aventurados na perpétua contemplação, em amor, de uma glória infinita...


            À minha frente um companheiro cai por terra, e os que vão atrás dele também caem. Num instante, o guarda está lá e usa seu chicote sobre eles. Por alguns segundos interrompe minha vida contemplativa. Mas num abrir e fechar de olhos eleva-se novamente minha alma, salva-se mais uma vez do aquém, da existência prisioneira, para um além que retoma mais uma vez o diálogo com o ente querido: Eu pergunto – ela responde; ela pergunta – eu respondo.
            “Alto!” Chegamos ao local da obra. “Cada qual busque sua ferramenta! Cada um pegue uma picareta e uma pá!” E todos se precipitam para dentro do galpão completamente às escuras para arrebanhar uma pá jeitosa ou uma picareta mais firme. “Como é, não vão se apressar, seus cachorros imundos?” Dali a pouco estamos no valo, cada um em seu lugar da véspera. A picareta estilhaça o chão congelado, soltando até fagulhas. Nem mesmo os cérebros ainda degelaram, os companheiros continuam calados. Meu espírito ainda se apega à imagem da pessoa amada. Continuo falando com ela, e ela continua falando comigo. De repente me dou conta: nem sei se minha esposa ainda vive! Naquele momento fico sabendo que o amor pouco tem a ver com a existência física de uma pessoa. Ele está ligado a tal ponto à essência espiritual da pessoa amada, a seu “ser assim” (nas palavras dos filósofos) que a sua “presença” e seu “estar-aqui-comigo” podem ser reais sem sua existência física em si e independente de seu estar com vida. Eu não sabia, nem poderia ou precisaria saber, se a pessoa amada estava viva. Durante todo o período do campo de concentração não se podia escrever nem receber cartas. Mas isto naquele momento de certa forma não tinha importância. As circunstâncias externas não conseguiam mais interferir do meu amor, na minha lembrança e na contemplação amorosa da imagem espiritual da pessoa amada. Se naquela ocasião tivesse sabido: minha esposa está morta – acho que este conhecimento não teria perturbado meu enlevo interior naquela contemplação amorosa. O diálogo espiritual teria sido igualmente intenso e gratificante. Naquele momento me apercebo da verdade: “Põe-me como um selo sobre o teu coração... por que o amor é forte como a morte.” (Cantares 8.6)



FRANKL, Vikor E. Em busca de sentido. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2001, pp. 43-44.