quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Sim, você é um nazista


Em 2017 farão 72 anos do final da Segunda Guerra Mundial, e também quando os campos de concentração foram libertados por soviéticos e estadunidenses das mãos dos carrascos nazistas.
Hoje, passado tanto tempo, vemos com horror as atrocidades daqueles locais. Mas caso você vivesse naquela época, não seria assim, provavelmente.
           Você que fala “bandido bom é bandido morto”, apoiaria sim os campos de concentração. Sim, você é um nazista. É chocante, mas para melhor entender, voltemos a um aspecto estético que era colocado nos prisioneiros: os triângulos de identificação, particularmente o rosa, o preto e o verde.

Relação dos triângulos colocados em prisioneiros
de campos de concentração
         Ficamos chocados com os triângulos rosas colocados nos uniformes de homossexuais, mas caso aprofunde-se mais, o homossexualismo era um rime sexual, então todos os outros crimes nesse nível eram contemplados com esse símbolo. Estupradores e pedófilos eram também postos nos mesmos galpões dos homossexuais com identificação do triângulo rosa.
       Os triângulos pretos hoje são comumente referidos às prisioneiras de comportamento antissocial (lésbicas, feministas), mas outros detentores foram esquecidos: prostitutas, alcoólatras e sindicalistas tinham o triângulo preto costurado nas mangas das camisetas.
            Por fim, os triângulos verdes. Eram os criminosos comuns: assassinos e ladrões.
            Talvez lendo esse texto você identifique-se com o nazismo, ou soe escandalosa essa minha afirmação. Lutar pela dignidade dos encarcerados não é defender crimes: é evitar que eles sejam cometidos novamente por uma sociedade doente e com um ciclo de violência cujos presídios fazem parte.

         Ou realmente você seja um nazista. Assuma seu posicionamento, ou ficarás como aqueles cristãos que defendem a morte de criminosos, mas cultuam a figura de Paulo, um assassino confesso convertido.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Sargento Ewaldo Meyer - criador do desenho da cobra fumando (Força Expedicionária Brasileira)


Nasceu no Rio de Janeiro-RJ (na época Distrito Federal) em 21 de setembro de 1925, numa família de 4 irmãos. Teve uma infância e juventude muito tranquila, sendo seu principal divertimento frequentar praia e visitar museus e locais históricos. Seu pai tinha uma indústria de tintas e sua mãe era do lar.

Com 18 anos de idade foi convocado para o serviço militar (na época era menor de idade). Foi um choque ser convocado, pois o Brasil estava em guerra com o Eixo. Foi se apresentar numa unidade em Duque de Caxias, onde recebeu o uniforme e as primeiras instruções (marcha, tiro, doutrinação militar). Foi transferido para um batalhão de engenharia, em Triagem, onde havia vários catarinenses. Posteriormente foi para um batalhão de guarda, na antiga avenida Pedro Livo. Era um batalhão momentâneo a fim de distribuir as tropas.

Na rua São Francisco Xavier estava pronto para o embarque o QG da Força Expedicionária Brasileira, e para lá o jovem Ewaldo foi. Era dirigido pela 3ª sessão do Estado Maior, cujo chefe era o então coronel Humberto de Alencar Castello Branco. Ficaram por ali alguns meses organizando as funções e embarcaram em 2 julho de 1944 no 1º escalão. Mas em vez de ir com o coronel Castello Branco, ele foi junto ao general Zenóbio da Costa. Durante a viagem, o navio ia ziguezagueando para despistar possíveis torpedeamentos alemães, e também eram feitos exercícios caso houvesse ataque, o que assustavam muitos militares ali, pois era uma simulação real. Depois de 15 dias de navio, desembarcaram em Nápoles.


Para um jovem de 18 anos, vindo da beleza do Rio de Janeiro, foi um choque ver a cidade de Nápoles praticamente em ruínas, navios destruídos, incêndios. Os soldados foram para um terreno onde havia um vulcão extinto, próximo ao porto, onde viam os outros navios chegando e bombardeios dos alemães. Depois, foram de caminhão para Tenuta di San Rossore, próximo à Pisa. Havia uma anedota que alemães vestiam-se de mulher para infiltrar-se nos campos brasileiros e sequestrar soldados.

Ewaldo foi colocado à disposição do general Zenóbio. Logo depois junta-se a eles o coronel Castello Branco com a 3ª sessão e o general Mascarenhas assume o comando geral da FEB, na 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, tropa do QG, que ficava em Porreta Terme, na região da Emilia Romanha. A função do sargento Ewaldo era registrar em mapas todas as movimentações das tropas e as diretivas de combate. A FEB recebia as orientações do 4º corpo do V Exército dos EUA. Foi ali em Porreta Terme que nasce o famoso desenho da cobra fumando, emblema da Força Expedicionária Brasileira. O próprio Ewaldo nos conta essa história (assista ao vídeo abaixo):


O QG fica em Porreta Terme até a batalha de Monte Castelo ser finalizada (fevereiro de 1945); com o recuo dos alemães, o QG é transferido várias vezes para várias localidades, até chegar em Alessandria, onde ocuparam o local que tinha sido o comando alemão na Itália.

Sargento Ewaldo é o primeiro da direita para a esquerda


Ficou marcado para o jovem Ewaldo o clima de destruição e morte, e como trabalhava no QG, as constantes informações sobre perdas de militares. Perdeu dois amigos que tinham acabado de chegar do Rio em um bombardeio ao lado do QG.



Viveu no coração da guerra, justamente pelo contato com os altos oficiais brasileiros e norte-americanos. Segundo ele, os comandantes eram sérios e compenetrados na missão, somente o major Luiz Mendes da Silva era mais comunicativo.

Após o retorno ao Brasil, durante um passeio em São Paulo, foi indicado pelo major Luiz para ir até a Escola Técnica de Aviação falar com o irmão dele. Acabou arranjando emprego e foi trabalhar na sessão de manutenção das aeronaves. Depois, dois instrutores da escola convidaram Ewaldo para trabalhar com eles numa firma de importação de peças de automóvel. Nesse meio tempo conheceu sua esposa Nair Verzola (nascida em 23 de maio de 1923 em Dobrada-SP), que era nutricionista no Hospital das Clínicas de São Paulo. Tiveram 3 filhos: Ney, Elcio e Marcio. Reside no bairro Jabaquara, em São Paulo.

Ewaldo e sua esposa Nair


          A ele nossa gratidão por ter participado da luta pela democracia e liberdade dos povos!

sábado, 22 de outubro de 2016

Há amores que só existem para um dia

      


      Quantas vezes sentimos saudade de um amor de verão? Essa conhecida expressão traz à tona todos aqueles amores que vivemos e foram suficientes para um período limitado de nossa vida.
        Quem nunca os viveu? Há amores de poucas horas, de um dia, de um mês, de um ano. Se foram, mas não deveríamos pensar os motivos de não tê-los mais, porém agradecer pelos momentos e pela intensidade neles vivida.
         Pode ter sido numa viagem, nas férias, ou até mesmo durante um pequeno café. Um retiro, um final de semana entre amigos, ou apenas um único momento que jamais será apagado das mentes.
         Há realmente amores que não servem para ficar a vida inteira. Eles são intensos e servem para um determinado momento da nossa vida. Para montarmos pedacinhos de felicidade. Para olharmos no passado e termos motivos para sorrir.

      Esses amores temporários nos construíram na nossa personalidade atual. Provavelmente não iriam mais adiante por uma série de fatores que só nos conhecemos. Mas sabemos que seremos certamente gratos a eles. Serão nossos motivos para olhar o passado e saber que fomos felizes, mesmo que em poucos momentos.




"Nada há mais suave na vida do que um jovem sonho de amor. A cada minuto,  vida  recomeça."(São Thomas Morus)

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Amar no silêncio




            Há algum tempo venho refletindo sobre o amor no silêncio. É prática de amor mais sacrificial que existe para o ser humano. Amar no silêncio é suportar diversas situações, distância, rompimentos, e o mais desafiador: o tempo. Pois sejamos sinceros: muitas vezes não queremos esquecer quem amamos.

           Nas minhas desastradas experiências amorosas, tive que fazer inúmeros sacrifícios. Não é fácil amar uma pessoa quando ela se vai. Não sabemos nem por onde começar, nem o que fazer de um ponto em diante. Amar no silêncio é um desafio a nós mesmos, é consagrar nosso sentimento ao tempo e pedir que ele se encarregue do resto.

       Isso pode soar de modo religioso, mas é uma forma de transcender o sentimento para a temporalidade. Pois, quando amamos de forma comum, nos tornamos extemporâneos: é o sentimento de eternidade que toma conta de nós e, quando ele é rompido, causa um enorme prejuízo a nós mesmos. Amar no silêncio é subjugar o sentimento ao tempo, deixar que os dias e as noites possam tomar conta do que se passa no coração. É a encarnação da renúncia.
         
             É paradoxal deixar que o sentimento se torne algo temporal se não queremos esquecer, já que o tempo é corrupção e finitude. Não sejamos ingênuos: até o amor que dura uma vida um dia termina, seja quando a morte chegar. Todo amor é passível pela temporalidade, mas mascaramos com a eternidade para criar uma cega esperança.

         
        Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897) dizia que a melhor forma de se amar uma pessoa é rezar por ela. Ou seja: é não possuir ninguém no coração, é deixar que os dias possam tocar adiante para que o ser amado por nós jamais seja destruído em nossas mentes.

     

         Amar no silêncio é carregar uma existência concreta. Não criar expectativas e ser realistas. Saber que há distância, rompimento, fim, morte, adeus e outras tristes realidades. É dizer "eu te amo" e deixar que as horas levem essas palavras, mas dessa vez sem que doam.


terça-feira, 8 de março de 2016

Qual a visão de Tomás de Aquino sobre as mulheres?

    
         A internet infelizmente torna-se um prato cheio para pessoas que insistem em denegrir, distorcer e mentir sobre temas considerados polêmicos.
            Em vários post's da web, você pode encontrar o seguinte trecho, falsamente atribuído à Tomás de Aquino:

"A mulher está submetida ao homem pela fraqueza de seu espírito e de seu corpo… é um ser incompleto, um tipo de homem imperfeito […] A mulher é defeituosa e bastarda, pois o princípio ativo da semente masculina tende à produção de homens gerados à sua perfeita semelhança. A geração de uma mulher resulta de defeitos no princípio ativo"

          A falta de leitura e/ou interpretação faz com que esse trecho seja atribuído ao Aquinate. Na realidade é uma CITAÇÃO DE ARISTÓTELES (retirada do livro 'Da Geração Animal') que Tomás comenta na Suma Teológica.

         Mas por que Tomás cita esse trecho? Justamente para refutá-lo! Como muitos estudiosos do pensamento dele sabe, Tomás tem um método interessante de escrever: ele coloca vários argumentos de filósofos e também alguns bíblicos e teses que eram aceitas na época. No caso ali, da mulher/fêmea como ser defeituoso e inferior. Ele replica o argumento com a seguinte resposta:

"Sed per comparationem ad naturam universalem, femina non est aliquid occasionatum, sed est de intentione naturae ad opus generationis ordinata. Intentio autem naturae universalis dependet ex Deo, qui est universalis auctor naturae. Et ideo instituendo naturam, non solum marem, sed etiam feminam produxit." (Por outro lado, na natureza humana em geral, a mulher não é ilegítima, mas está incluída na intenção da natureza como ao trabalho de geração. Intenção geral da natureza depende de Deus, que é o autor universal da natureza. Portanto, na produção de natureza, e não só os machos, mas também as fêmeas.)

Isso está na Suma Teológica I-II, q. 92, a.1, arg 1 (a tese) e ad 1 (a resposta à tese).


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Chiara Corbella Petrillo e Maria Chiara Mangiacavallo: duas mulheres unidas pela cruz

            

                História de pessoas que foram até o fim levando grandes cruzes nos causam espanto, mas também brilho nos olhos. Contarei aqui a história de duas jovens italianas que foram até os últimos dias sem renunciar a seus valores e dando um testemunho de grande amor a Deus e a seus próximos.


Chiara Corbella Petrillo


            Nascida em janeiro de 1984, numa família devotamente cristã, desde cedo era levada a participar de eventos da Igreja. Com tinha 5 anos, sua mãe começou a participar da comunidade Renovação no Espírito, levando Chiara e sua irmã.
            Numa peregrinação em Medjugorje, com 18 anos, Chiara conheceu Enrico Petrillo e depois de alguns meses começaram a namorar. Com 4 anos de namoro houve um término, mas o amor dos dois ainda era forte, e reiniciaram o relacionamento agora com o acompanhamento de um diretor espiritual, um frade franciscano de Assis. Em setembro de 2008, Chiara e Enrico casaram-se.
Casamento de Chiara e Enrico

           Pouco tempo depois, Chiara engravidou. Era uma menina. Escolheram o nome de Maria Grazia Letizia. Um tempo de gravidez e, durante uma ultrassonografia, descobriu que sua filha tinha anencefalia. A despeito de todas as recomendações, inclusive de alguns médicos que disseram para abortar a criança, Chiara e Enrico decidiram manter a gravidez. Em 2009, Maria morreu 30 minutos após o nascimento, tendo ainda recebido o Batismo.
           Alguns meses depois, Chiara novamente engravidou. Agora era um menino, Davide Giovanni. Uma ultrassonografia constatou que faltavam as pernas do menino. Novos exames, também faltavam-lhe os rins e uma má formação visceral. O casal decidiu seguir com a gravidez. David morreu 37 minutos depois de nascer, e assim como sua falecida irmã Maria, recebeu antes o sacramento do Batismo.
            Novamente Chiara engravidou, e, para a surpresa de todos, o menino era saudável. Francesco seria seu nome. Mas a família teve de enfrentar a sua maior cruz.
           
Chiara em  estado terminal com seu filho
Francisco
            Chiara teve uma pequena afta na língua, a qual não deu muita importância. A ferida se desenvolveu e procuraram exames. Biópsia. Veio então o diagnóstico: câncer. Somente depois do parto de Francisco é que Chiara pode iniciar os tratamentos quimioterápicos e de radioterapia, pois seus pais queriam dar todas as condições para o menino nascer, mesmo que a vida de Chiara estivesse sob risco. O menino realmente nasceu saudável, mas a saúde de Chiara só iria despencar.
            No final de sua vida, Chiara, que já tinha perdido um olho devido ao avanço do câncer, ainda conseguiu fazer uma nova peregrinação a Medjugorje em abril de 2012 junto com Enrico e o pequeno Francesco. Morreu em 13 de junho de 2012, aos 28 anos. Seu funeral, em 16 de junho, reuniu mais de 2000 pessoas na Igreja Santa Francisca Romana. Todos os anos, em 13 de junho, há uma missa em sua memória na Itália. Seu testemunho de fé contagia muitos jovens e sua história já é comparada a de Santa Gianna Beretta Molla.



Alguns momentos do funeral de Chiara




Maria Chiara Mangiacavallo


            Nascida em Sciacca, província de Agrigento, Itália, em 7 de dezembro de 1985. Formou-se em Contabilidade no ano de 2004 e decidiu continuar seus estudos na Universidade de Palermo para ser educadora infantil.
           Durante sua adolescência cultiva diferentes paixões, como a fotografia, de viagens, a produção de peças pequenas com feltro. É bem conhecida como uma menina solar e amante da vida. Através da fé transmitida pelos pais, participa, na adolescência, de diferentes cursos organizados pelos frades de Assis, a marcha franciscana e duas viagens para a Terra Santa. Conhece padre Vito, seu pai espiritual, que a acompanha com amor no caminho rumo a Jesus. Durante uma de duas viagens para a Terra Santa, a de 2008, o Senhor fala forte no coração de Maria Chiara pedindo-lhe para "brilhar" (como indicado em vários depoimentos). Esta forte presença de Deus muito a assusta.
              Em 2010 Maria Chiara começa notando uma diferente dor no corpo para o qual nenhum médico foi capaz de chegar à causa do problema. Após várias verificações cuidadosas e consultar muitos médicos o problema é diagnosticado após exame histológico: um tumor raro no útero (leiomiossarcoma uterino), que geralmente está presente em mulheres mais velhas. Depois de perder o útero e ovários, Maria Chiara rebela-se com o Senhor levando uma vida desordenada e longe de Seu Amor.
            Apenas em 2013 tomou conhecimento da história de Chiara Corbella Petrillo via Facebook; lembra então da promessa de que o Senhor havia feito em Jerusalém e sente nela o desejo de uma morte santa e uma vida cheia de luz, a brilhar, como a de Chiara. Enquanto isso, o "monstro" continua a progredir tão rápido e implacável, e assim antes de comprometer sua bexiga, Maria Chiara retomou seus contatos com Padre Vito e a sua vida muda radicalmente. Se aproxima do Evangelho da Anunciação, na qual ele se vê e encontra toda a sua vida. Enquanto isso, sua saúde continua a deteriorar-se, mas, ela sabe disso e sempre vê esses fatos à luz de Deus, de modo a definir uma clara vocação, a do sofrimento.
           
   Durante este tempo Maria Chiara paradoxalmente encontra força em Deus Pai que nada falta aos seus filhos e passa seus derradeiros momentos para testemunhar o amor de Deus em sua vida em várias ocasiões. Deus dá a graça para realizar a "Way of Providence" com seu amigo fraterno Enrica, andando cerca de 115 km de Verna para Assis, sem dinheiro, comida e com um tumor no corpo debilitante, portanto, nenhuma certeza da sua forças físicas.
Funeral de Maria Chiara. Nota-se o véu de noiva em seu
caixão, alusão de seu enlace eterno com Cristo
           
             Maria Chiara subiu para o Pai em 13 de março de 2015, exatamente nove meses depois de ter sido chamado de "fruto de Chiara Corbella", durante uma celebração eucarística, depois que comungou do corpo de Cristo e receberam a bênção diretamente do mãos do padre Vito, como ela desejava, morrendo em comunhão com Ele em um abraço eterno. Seu funeral, no dia 16 de março, teve a presença de jovens de toda a Itália, sendo um evento anormal para a cidade de Sciacca, onde foi celebrado o Casamento Eterno de Maria Chiara com seu Amado. As pessoas do local nunca tinham visto tanta alegria e fé em um cortejo fúnebre!

Trechos do funeral de Maria Chiara



sábado, 10 de outubro de 2015

Entre o grande amor e o verdadeiro amor

         Ninguém vai ficar com o grande amor de nossas vidas. É sério. O grande amor é tão intenso que devido a esse seu próprio poderio um dia irá explodir. Deixará eternas marcas, sejam positivas ou negativas. Vamos ficar sim é com o verdadeiro amor de nossas vidas.
            Quem foi o grande amor de nossas vidas? Todos temos um grande amor sim! Pode ter sido o primeiro beijo, a primeira relação, pode ter sido aquele(a) que vivemos os momentos mais intensos lado a lado, quando choramos sem parar de saudades, quando a dor da falta foi tão grande a ponto de nos derrubar. Por esse amor corremos riscos, fazem-se coisas proibidas! O grande amor tem a capacidade de, passados muitos anos, sua lembrança estremecer em nossas mentes por muitos e muitos anos. Os momentos vividos lado a lado serão inesquecíveis, e sim, podemos tirar mais coisas boas do que ruins deles. Pois de alguma forma, o grande amor nos moldou e nos preparou para o verdadeiro amor.
            Um corredor, quando dispara logo de início, perde o fôlego no meio do caminho. Assim é o grande amor. Estamos empolgados que logo nos entregamos de corpo e alma aqueles mágicos e preciosos momentos. Infelizmente chegará o momento que nossa mente e nosso corpo visualizará o fim disso tudo. E de fato, o fim do grande amor é trágico. Machuca, corrói, mata a alma. Experimentamos a queda ao inferno, noites mal dormidas, pesadelos e bebedeiras históricas que acreditamos sanar parcialmente aquela dor. Curtimos esse luto por um longo período. E isso nos fará crescer e nos estabilizará.

              Acontece que quando vivemos o grande amor, não somos seres completos. Claro que nunca seremos, mas a intensidade do amor na brevidade do tempo nos faz olharmos para o momento, sem projetar, sem planejar, levando conosco muitas imaturidades adiante. Ao curar-se de um grande amor, aprendemos a olhar para nós mesmos, construir sonhos, viver a humanidade.

            Então aparece o verdadeiro amor. Não sabemos a forma que ele existe, mas o verdadeiro amor é o que nos garante a estabilidade e dá a segurança necessária para de fato cumprir aquele mandamento religioso dito um dia por Jesus: “Ame o próximo como a ti mesmo.” Com o verdadeiro amor, aprendemos a amar alguém sem deixar de amar a si mesmo. O verdadeiro amor ajudará cada um a construir o próprio sonho, e não infringindo num princípio muito importante: a liberdade. O verdadeiro amor é a liberdade plena, e por isso que casais estáveis, se tornam de fato uma grande unidade. 

            O grande amor jamais sairá de nossas mentes. Mas o verdadeiro amor será concretamente eterno.