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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Chiara Corbella Petrillo e Maria Chiara Mangiacavallo: duas mulheres unidas pela cruz

            

                História de pessoas que foram até o fim levando grandes cruzes nos causam espanto, mas também brilho nos olhos. Contarei aqui a história de duas jovens italianas que foram até os últimos dias sem renunciar a seus valores e dando um testemunho de grande amor a Deus e a seus próximos.


Chiara Corbella Petrillo


            Nascida em janeiro de 1984, numa família devotamente cristã, desde cedo era levada a participar de eventos da Igreja. Com tinha 5 anos, sua mãe começou a participar da comunidade Renovação no Espírito, levando Chiara e sua irmã.
            Numa peregrinação em Medjugorje, com 18 anos, Chiara conheceu Enrico Petrillo e depois de alguns meses começaram a namorar. Com 4 anos de namoro houve um término, mas o amor dos dois ainda era forte, e reiniciaram o relacionamento agora com o acompanhamento de um diretor espiritual, um frade franciscano de Assis. Em setembro de 2008, Chiara e Enrico casaram-se.
Casamento de Chiara e Enrico

           Pouco tempo depois, Chiara engravidou. Era uma menina. Escolheram o nome de Maria Grazia Letizia. Um tempo de gravidez e, durante uma ultrassonografia, descobriu que sua filha tinha anencefalia. A despeito de todas as recomendações, inclusive de alguns médicos que disseram para abortar a criança, Chiara e Enrico decidiram manter a gravidez. Em 2009, Maria morreu 30 minutos após o nascimento, tendo ainda recebido o Batismo.
           Alguns meses depois, Chiara novamente engravidou. Agora era um menino, Davide Giovanni. Uma ultrassonografia constatou que faltavam as pernas do menino. Novos exames, também faltavam-lhe os rins e uma má formação visceral. O casal decidiu seguir com a gravidez. David morreu 37 minutos depois de nascer, e assim como sua falecida irmã Maria, recebeu antes o sacramento do Batismo.
            Novamente Chiara engravidou, e, para a surpresa de todos, o menino era saudável. Francesco seria seu nome. Mas a família teve de enfrentar a sua maior cruz.
           
Chiara em  estado terminal com seu filho
Francisco
            Chiara teve uma pequena afta na língua, a qual não deu muita importância. A ferida se desenvolveu e procuraram exames. Biópsia. Veio então o diagnóstico: câncer. Somente depois do parto de Francisco é que Chiara pode iniciar os tratamentos quimioterápicos e de radioterapia, pois seus pais queriam dar todas as condições para o menino nascer, mesmo que a vida de Chiara estivesse sob risco. O menino realmente nasceu saudável, mas a saúde de Chiara só iria despencar.
            No final de sua vida, Chiara, que já tinha perdido um olho devido ao avanço do câncer, ainda conseguiu fazer uma nova peregrinação a Medjugorje em abril de 2012 junto com Enrico e o pequeno Francesco. Morreu em 13 de junho de 2012, aos 28 anos. Seu funeral, em 16 de junho, reuniu mais de 2000 pessoas na Igreja Santa Francisca Romana. Todos os anos, em 13 de junho, há uma missa em sua memória na Itália. Seu testemunho de fé contagia muitos jovens e sua história já é comparada a de Santa Gianna Beretta Molla.



Alguns momentos do funeral de Chiara




Maria Chiara Mangiacavallo


            Nascida em Sciacca, província de Agrigento, Itália, em 7 de dezembro de 1985. Formou-se em Contabilidade no ano de 2004 e decidiu continuar seus estudos na Universidade de Palermo para ser educadora infantil.
           Durante sua adolescência cultiva diferentes paixões, como a fotografia, de viagens, a produção de peças pequenas com feltro. É bem conhecida como uma menina solar e amante da vida. Através da fé transmitida pelos pais, participa, na adolescência, de diferentes cursos organizados pelos frades de Assis, a marcha franciscana e duas viagens para a Terra Santa. Conhece padre Vito, seu pai espiritual, que a acompanha com amor no caminho rumo a Jesus. Durante uma de duas viagens para a Terra Santa, a de 2008, o Senhor fala forte no coração de Maria Chiara pedindo-lhe para "brilhar" (como indicado em vários depoimentos). Esta forte presença de Deus muito a assusta.
              Em 2010 Maria Chiara começa notando uma diferente dor no corpo para o qual nenhum médico foi capaz de chegar à causa do problema. Após várias verificações cuidadosas e consultar muitos médicos o problema é diagnosticado após exame histológico: um tumor raro no útero (leiomiossarcoma uterino), que geralmente está presente em mulheres mais velhas. Depois de perder o útero e ovários, Maria Chiara rebela-se com o Senhor levando uma vida desordenada e longe de Seu Amor.
            Apenas em 2013 tomou conhecimento da história de Chiara Corbella Petrillo via Facebook; lembra então da promessa de que o Senhor havia feito em Jerusalém e sente nela o desejo de uma morte santa e uma vida cheia de luz, a brilhar, como a de Chiara. Enquanto isso, o "monstro" continua a progredir tão rápido e implacável, e assim antes de comprometer sua bexiga, Maria Chiara retomou seus contatos com Padre Vito e a sua vida muda radicalmente. Se aproxima do Evangelho da Anunciação, na qual ele se vê e encontra toda a sua vida. Enquanto isso, sua saúde continua a deteriorar-se, mas, ela sabe disso e sempre vê esses fatos à luz de Deus, de modo a definir uma clara vocação, a do sofrimento.
           
   Durante este tempo Maria Chiara paradoxalmente encontra força em Deus Pai que nada falta aos seus filhos e passa seus derradeiros momentos para testemunhar o amor de Deus em sua vida em várias ocasiões. Deus dá a graça para realizar a "Way of Providence" com seu amigo fraterno Enrica, andando cerca de 115 km de Verna para Assis, sem dinheiro, comida e com um tumor no corpo debilitante, portanto, nenhuma certeza da sua forças físicas.
Funeral de Maria Chiara. Nota-se o véu de noiva em seu
caixão, alusão de seu enlace eterno com Cristo
           
             Maria Chiara subiu para o Pai em 13 de março de 2015, exatamente nove meses depois de ter sido chamado de "fruto de Chiara Corbella", durante uma celebração eucarística, depois que comungou do corpo de Cristo e receberam a bênção diretamente do mãos do padre Vito, como ela desejava, morrendo em comunhão com Ele em um abraço eterno. Seu funeral, no dia 16 de março, teve a presença de jovens de toda a Itália, sendo um evento anormal para a cidade de Sciacca, onde foi celebrado o Casamento Eterno de Maria Chiara com seu Amado. As pessoas do local nunca tinham visto tanta alegria e fé em um cortejo fúnebre!

Trechos do funeral de Maria Chiara



segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Exaltação da Santa Cruz

             

          O relato carece de fontes mais fidedignas, pois não pude fotografar  os momentos descritos. Ficará apenas a fonte da oralidade e a imaginação do leitor.
            Hoje, 14 de setembro, festa católica da Exaltação da Santa Cruz, fomos convidados pelos padres na missa das 7h para um retiro diferenciado. Após o café da manhã, levar água, umas frutas, Bíblia e algo pra anotar, e sair de casa. Ir onde quisesse. Desinstalar-se. Não levar celular, e voltar pelas 16h. Refletir o mistério da Santa Cruz.
            Depois de rezar na Igreja Matriz de Brusque pela manhã, por volta das 11h, parei defronte a um estabelecimento alimentício e fiquei ali observando. Um casal trabalhando no balcão. O homem me cumprimentou. Mas eles, de origem estrangeira, iniciaram um diálogo em outra língua, que apesar de identificar qual era, não compreendia os termos. Ele parecia brigar com ela. Pensei que fosse uma suposição minha, mas então, indiferente à minha e outras presenças ali próximas, o homem esbravejava com ela, chegando a apontar para a mulher a faca com a qual estava cortando os alimentos. O silêncio e a lágrima que rolou pelo rosto da mulher me confirmou a discussão. Prometi a mim mesmo que jamais iria um dia almoçar naquele estabelecimento, nunca compactuarei com uma atitude machista.
            Após almoçar algumas frutas, dirigi-me à Biblioteca Pública. Ali haviam alguns sofás que eu pudesse relaxar um pouco. Depois de alguns minutos, próximo a mim, sentou-se uma mulher chorando. Olhava para o celular, talvez para espairecer sua mente ou até mesmo receber algo que pudesse a agradar. Observei-a por alguns minutos. Não esboçava sorriso, passos lentos onde pegou uma revista sobre saúde para ler.
            Saí da Biblioteca rumando para a Praça da Cidadania, a fim de continuar leituras espirituais. Muitos jovens, pessoas sentadas com seus smartphones acessando a internet grátis disponibilizada na praça. Um grupo ali parecia destoar: jovens estudantes, conversando entre si. Um deles tocava violão. O grupo começa a caminhar, mas uma das integrantes fica pra trás e pega seu celular. Uma lágrima vem no seu rosto. O amigo que está com o violão acena para ela à distância, como querendo que ela novamente se integre. Ela caminha lentamente, o rosto denunciando sua tristeza pelo que acabou de ver no celular.

            3 mulheres, 3 cenas, 3 cruzes. Percebi pelo feminino mais facilmente as cruzes do que pelos masculinos. Estes últimos as têm, mas sabidamente sei como  somos duros para demonstrar coração ferido,  e quando demonstramos, o  fazemos de modo imaturo ou explosivo. O feminino denuncia a cruz e a ressurreição mais facilmente pelo olhar, pela complacência do rosto, pelo suave gesto.
            Como disse o padre pela manhã, era necessário um desinstalar-se. Foram 3 cenas onde me senti desinstalado. Sem perspectiva de ação plausível a tomar diante daqueles fatos. Posso estar profundamente enganado quanto à tristeza daquelas 3 mulheres, mas ao remeter-me ao episódio do Crucificado, recordo que o centurião, ao ferir próximo do Coração, saiu daquele corpo ali morto sangue e água. Toda lágrima brota da profundidade de um coração. 3 corações doloridos, com seus motivos secretos, que provavelmente não tornarei a ver.

            Minha oração de conclusão do dia, já em nossa casa, diante do Santíssimo, foi de total entrega daqueles corações e do meu. De firmar meu compromisso de espalhar o Amor a fim de reparar essas cruzes que vamos encontrar diariamente. De me abastecer desse Amor para reparar minhas próprias cruzes.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Diante do vazio

        Há muitos momentos da vida que você com certeza deve ter se deparado com vazios existenciais, mesmo depois de passar por grandes sofrimentos e achar que então iria colher novos frutos.
            Somos acostumados a lidar com a dualidade Cruz e Ressurreição. Que sofremos muito, e logo após o sofrimento vem a bonança. Aí quando ocorrem as esperas, o vazio que nos angustia, não sabemos para onde correr. Mas um episódio bíblico pode nos ajudar a compreender esse fato.


        Lucas 20,11-18: “Maria estava junto ao sepulcro, de fora, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para o interior do sepulcro e viu dois anjos, vestidos de branco, sentados no lugar onde o corpo de Jesus fora colocado, um à cabeceira e outro aos pés.  Disseram-lhe então: ‘Mulher, por que choras?’ Ela lhes diz: ‘Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram!’  Dizendo isso, voltou-se e viu Jesus de pé. Mas não sabia que era Jesus.  Jesus lhe diz: ‘Mulher, por que choras? A quem procuras?’ Pensando ser ele o jardineiro, ela lhe diz: ‘Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar!’ Diz-lhe Jesus: ‘Maria!’. Voltando-se, ela lhe diz em hebraico: ‘Rabbuni!’, que quer dizer ‘Mestre’. Jesus lhe diz: ‘Não me retenhas, pois ainda não subi ao Pai. Vai, porém, a meus irmãos e dize-lhes: Subo a meu Pai e vosso Pai; a meu Deus e vosso Deus’.  Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: ‘Vi o Senhor’, e as coisas que ele lhe disse”

            O texto fala de Madalena diante do túmulo. Uma espera rápida, mas que veio de 3 longos dias. 3 dias que foram uma eternidade. Quando se ama, a saudade é mais intensa. A ansiedade diante do vazio, do que viria a ser sua vida diante do Amor que talvez não existe mais.
            O talvez. Aprender a lidar com o talvez é um processo de constância. O talvez é o que nos deixa muitas vezes no vazio. Diante do túmulo, Maria Madalena ficou no talvez. Suas lágrimas quase ofuscaram a presença do Mestre que ali pertinho estava.



            Nossa dor é um processo. Começa na Cruz, sepulta-se no túmulo, mas é transformada pela Ressurreição. Somos seres da Ressurreição, não túmulos. Esses são para os mortos apenas, não para nós vivos, criados para o Amor.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Sexo, religião e costumes - artigo de Pe. Zezinho, SCJ

          
             A realidade dos heterossexuais, dos gays, dos homossexuais e das lésbicas é mais do que uma questão. São muitas questões.
            Na humanidade, desde que apareceu esta forma de desejo e de afeto, todos, sem exceção de ninguém, tiveram que se posicionar. Este afeto existia. E não era possível reduzir o fato à prostituição , desvio da natureza, ou sem vergonhice.
            A maioria não escolheu, desde a adolescência ou juventude enveredar em direção do mesmo leito. Gostaram de uma pessoa do mesmo sexo e encontraram correspondência. Até porque quem não sente desejos por alguém do mesmo sexo dificilmente compreende o universo desses irmãos e irmãs. É outro outro tipo de afeto.
            O drama dos pregadores de religião é saber onde colocar o amor de Deus e do amor por Deus num coração que absolutamente não sente, nem desejo, nem vontade de amar conjugalmente alguém do outro sexo. Podem até dividir o mesmo espaço, a mesma mesa, mas não o mesmo leito.
            O que o Papa Francisco e outros estudiosos de comportamento humano estão dizendo -e há centenas de estudos sobre sexo, desejo e afeto- é que não se pode jogar todo mundo no mesmo caldeirão ou balaio. A noção de pecado passa pelo querer, mas passa também pelo diálogo e pela caridade.
            Uma coisa é o que as novelas e revistas sensacionalistas mostram, e outra é o que psicólogos e sacerdotes sabem sobre a dor de amar sem poder amar ou amar sem querer amar.
            Ninguém chega a nenhuma conclusão socando comportamento nas pessoas. Houve quem optou por não se entregar a tais afetos. E há muitos que decidem não lutar contra o que sentem .
            Os pregadores e conselheiros precisam de bom conhecimento de Teologia Moral, de Psicologia e às vezes de Psiquiatria porque muitos se desequilibram, tanto quanto héteros também se desequilibram ao perder o homem ou a mulher desejada.
            Não custa pedir ajuda a quem sabe mais. Não são leprosos morais e Deus os ama, embora não concordemos com sua maneira de amar. Mas quem disse que entendemos todas as dores de uma alma? A nós que temos outra visão de sexualidade cabe dialogar se quiserem diálogo. Se não quiserem mesmo assim não temos o direito de ferí-los.
            Que eles saibam que não pensamos do mesmo jeito, mas também que não seremos atiradores de pedras. São nossos irmãos e irmãs que sabem que temos outro jeito de ver o afeto, o amor e a vida.


Pe. José Fernandes de Oliveira, o Pe. Zezinho, é sacerdote da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (dehonianos). Cantor e compositor. Reside em Taubaté-SP.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Santa Teresinha e a cura da depressão, pânico e doenças da alma e/ou psicossomáticas

        
     Santa Teresa do Menino Jesus disse que foi curada, quando era uma criança, do que hoje seria provavelmente diagnosticado como síndrome do pânico. Ela foi curada pelo sorriso da Virgem. A santa escreveu: "13 de maio de 1883, Festa de Pentecostes. Da cama, virei o olhar para a imagem de Nossa Senhora da Santíssima Virgem e... de repente parecia linda, tão linda que eu nunca tinha visto nada assim, seu rosto irradiava bondade e ternura indizível, mas que caiu profundamente em minha alma este ‘sorriso encantador da Santíssima Virgem’. Nesse momento, todas as minhas dores sumiram, duas grandes lágrimas jorraram dos meus olhos e escorregaram no rosto. Eram lágrimas de pura alegria... Ah, pensei, a Santíssima Virgem sorriu para mim, estou feliz ... (...) Foi por causa dela, de suas orações intensas, que eu recebi a graça do sorriso da Rainha do Céu ... ".
        Ela chamou essa imagem de "Virgem do Sorriso", e a invocação começou com sua família. Mais tarde, ela levou a devoção ao Carmelo de Lisieux. No final se espalhou para todas as ordens carmelitas e se espalhou por todo o mundo. Muitas pessoas receberam a cura da depressão e outras doenças da alma, como Teresinha, através desta devoção.



ORAÇÃO à Virgem do Sorriso

Ó Maria, Mãe de Jesus e nossa mãe, 
que com um sorriso claro que você se dignou a confortar 
e curar sua filha Santa Teresa do Menino Jesus da depressão, 
restaurar a alegria da vida 
e do sentido de sua vida em Cristo ressuscitado, 
olhe com carinho maternal muitos 
filhos e filhas que sofrem de depressão, 
transtornos e síndromes psiquiátricas e doenças psicossomáticas. 
Jesus Cristo se importa e dá sentido à vida de tantas
 pessoas, cuja existência, por vezes, se deteriorou. 
Maria, o seu lindo sorriso não deixe que 
as dificuldades da vida obscureça nossa alma. 
Sabemos que só Jesus, seu Filho, pode satisfazer
as ansiedades mais profundos de nossos corações. 
Maria, através da luz que floresce a partir de Seu rosto 
brilhe através da misericórdia de Deus. 
Seus olhos nos acariciar e nos convencer de que 
Deus nos ama e  nunca nos abandona, 
e sua ternura renove em nós a auto-estima, 
confiança em nossas habilidades, 
interesse no futuro e o desejo de viver feliz. 
Os familiares de pessoas que sofrem de depressão ajudem
no processo de cura, não considerando-os nunca atores
 da doença com os interesses de conveniência, 
mas melhorá-los, ouví-los, compreendê-los e exortá-los. 
Virgem do Sorriso, obtenha a nós por Jesus a verdadeira cura 
e nos salve de alívios temporários e ilusórios. 
Curados, temos o compromisso de servir Jesus com alegria , 
disposição e entusiasmo, como discípulos missionários, 
através do nosso testemunho de vida renovada. 
Amém.


          Rezar duas Aves-Marias em honra das duas lágrimas de alegria que entraram no rosto de Santa Teresinha do Menino Jesus, quando foi tocada pelo sorriso da Virgem.



sexta-feira, 15 de maio de 2015

Intervenções de Santa Teresinha do Menino Jesus na Primeira Guerra Mundial



            Irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face (1873 – 1897) é uma das mais populares santas católicas do mundo contemporâneo. Viveu apenas 24 anos e praticamente a maior parte da sua vida na cidade de Lisieux, onde por 9 anos esteve no Carmelo dessa cidade. A espiritualidade de Teresa e a profundidade de seus escritos influencia até hoje o pensamento católico.
            A devoção à Santa Teresinha se expandiu da França para o resto do mundo por um fato curioso, quase desconhecido: soldados franceses que lutavam nas trincheiras durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) sentiram durante o conflito a intercessão da santa, e em agradecimento, enviaram cartas ao Carmelo de Lisieux. Com tantas cartas, o Carmelo um dia decidiu compilá-las num documento chamado Pluie de roses (“Chuva de rosas”, uma expressão de Teresa antes da morte), onde já estavam anexadas também outras correspondências de graças alcançadas dos anos 1906 a 1912. Pluie de roses foi publicado até 1926, totalizando 10 volumes, com 3200 testemunhos.

            Esse assunto despertou-me curiosidade após ter sido citado pelo meu mestre no Postulantado, Pe. José Napoleão, SCJ, durante uma formação. Fui então, em busca das cartas e traduzi alguns desses relatos, que você pode encontrá-los na íntegra do Pluie de roses, através do link https://www.bibliotheque-monastique.ch/bibliotheque/bibliotheque/saints/carmel/thereseenfj/pluieroses/index.htm (os relatos estão todos em francês)

***


Campo de prisioneiros de guerra, Meiringen (Suíça), 8 de março de 1916.

            Feito prisioneiro em Maubeuge, em 8 de setembro de 1914, eu fui internado em Friedrichsfeld. Uma noite do mês de junho de 1915, deixando a capela, depois de uma fervorosa oração à Irmã Teresa, para não ser enviado a trabalhar nas usinas da Alemanha, fui tomado por um forte odor de rosas. Ora, eu estava rodeado de uma cabana em madeira, sem nenhum jardim nas imediações; o suave perfume se prolongaria quase meia hora. A santinha aceitou assim, com certeza, que ela tinha escutado minha súplica. De fato, no dia seguinte, convocado para a visita, o doutor não olhou para mim, e enquanto muito dos meus camaradas foram designados para partir, eu fui classificado como um doente velho, e enviado para a Suíça. No entanto, minha saúde é muito boa.
            Eu agradeço muito à pequena Irmã Teresa desse duplo previlégio.

Edouard Dekonne,
soldado internado, 
Hôtel Anderegg.  Meiringen (Suíça)


Do front, 28 de julho de 1917.

            Soldado belga, muito confiante em Irmã Teresa do Menino Jesus, eu gostaria de assinalar a proteção notável da qual fui o objeto recentemente, em frente à Dixmude.
            Eu estava nas trincheiras, por volta das 8:30 da noite, quando um bombardeiro de uma violência enorme se desencadeou sobre nós. Uns projeteis de grande calibre caíram aos milhares nos arredores do abrigo frágil, onde eu vinha me refugiado, explodindo de todas as partes, umas por cima das outras, ou nos lados, ou no parapeito da nossa linha, enquanto que um torpedo se afundava na terra, cavando enormes buracos. Se somente um destes projeteis tivessem passado no meu abrigo, eu e meus camaradas estaríamos perdidos. Mas eu rezei à Irmã Teresa e ela desviou todos, enquanto que todas as trincheiras próximas foram arrasadas, sem exceção de uma só!
            Nós estávamos, sob o fogo incessante, depois de quatro longas horas, num estado de angústia e de nervosismo que pressentia, quando implorei para a santinha não somente de nos proteger, mas de fazer cessar o bombardeio terrível. E bem, eu afirmo que no mesmo instante onde eu fazia esta oração, a voz do canhão se desacelerou, e três minutos mais tarde, mais um só tiro não foi dado.
            Jamais vou esquecer deste milagre da Irmã Teresa!
             
A. Docobu,
6e Brig M. V. D. 
D. 110. Exército belga.



Nos Exércitos, 8 de setembro de 1917.

Senhora Superiora,
           
            Eu li na imprensa, nos últimos tempos, diversas comunicações a respeito da Irmã Teresa do Menino Jesus, e, no momento onde todos os lados afirmam seu poder, eu não posso deixar de reportar um grande testemunho de sua glória.
            Nas primeiras semanas desta grande guerra, eu recebi de minha noiva uma relíquia de Irmã Teresa e sua imagem, e a carta que as acompanhava me dizia: “Guarde-as valiosamente e nunca separe-se jamais, eu tenho certeza que a pequena Irmã te preservará.”
            Depois, eu sempre as conservei comigo, e veio um dia onde eu senti um modo evidente a proteção que eu tinha.
            Foi no último maio; meu departamento de ligação me chamou a um posto remoto de poucos quilômetros de onde eu me encontrava. No caminho, fui subitamente surpreendido por uma terrível ação conjunta de soldados, algo terrível; primeiro, eu me joguei em um buraco; em seguida, entre balas, eu queria achar um abrigo próximo, mas, quando eu estava entrando, vi um soldado escondendo-se sob uma árvore caída, gesto que convidava-me a acompanhá-lo. Levou-me embora, porque alguns minutos mais tarde, o abrigo onde eu pretendia refugiar-se desmoronou sob o fogo e matou todos os ocupantes... eu ainda tremo só de pensar no que teria acontecido comigo, e aqui no meio da metralha neste dilúvio de fogo, sem sequer tendo pensado de invocar a santa carmelita, sua imagem tomou forma diante dos meus olhos, e uma voz interior me disse: “E a pequena irmã Teresa te salvou.” Então eu não pensei sobre isso, como explicar esta misteriosa voz convidando-me para agradecer? Pareceu-me uma intervenção real da querida santa, e eu ofereço-lhe o tributo de minha imensa gratidão.
            Atenciosamente,

            H. Rocher, brigadeiro,
            51e rég. d'art., 71e Brie.


***

            Muitas dessas graças também foram comunicadas ao papa Bento XV, como você pode ver clicando AQUI que te encaminhará ao link que contém os relatos (em francês). Durante e após o conflito, também muitos soldados foram ao túmulo de Teresa no Carmelo agradecer a ajuda espiritual.
Grupo de soldados visitando o antigo túmulo de Teresa no
Carmelo de Lisieux, por volta de 1915.

            Santa Teresinha, a doutora do Amor, que não deixou de trazer esse dom em meio à guerra e sofrimento! Rogai a Deus por nós!


Referências Bibliográficas

Cartas das trincheiras. In: http://www.arautos.org/artigo/63980/Cartas-das-trincheiras.html, acessado em: 01/05/2015, às 22h30.

Les pluies de roses. http://www.archives-carmel-lisieux.fr/carmel/index.php/miracles/les-publications-pluies, acessado em: 11/05/2015, às 13h15.



Suppliques des soldats de la 1ère Guerre au Pape Benoît XV. http://www.archives-carmel-lisieux.fr/carmel/index.php/apres-1897/la-1ere-guerre/suppliques-des-soldats-de-la-grande-guerre-au-pape, acessado em 10/05/2015, às 20:00.


quinta-feira, 19 de março de 2015

São José e a moral do amor puro

         
          Quando lemos o texto de Mateus 1,18-25, principalmente o versículo 19, ficamos muito confusos e apreensivos:

           "José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la               em segredo"

           Numa primeira e superficial leitura, questiona-se o motivo de José querer abandonar Maria. Mas José evoca para si uma moral que precisamos interpretar o texto para compreender.
              O carpinteiro traz à tona uma lei do Deuteronônio, que encontra-se em 22,22-29. Ao pensar em abandonar Maria, na verdade, quer dar a entender à comunidade de Nazaré que ele a havia violentado e fugiu, salvando assim Maria de um possível apedrejamento caso a moça apareça grávida sendo prometida a ele (se Maria aparecesse grávida com o consentimento de José, as pessoas pensariam que eles mantiveram relações antes do casamento, e poderiam ser apedrejados. No contexto de uma sociedade machista, era bem capaz de somente Maria ser apedrejada por ter cometido a fornicação).
              Por que então José pensa em trazer a culpa só para si? É a moral do amor puro. José ama tanto Maria ao ponto de querer ludibriar a comunidade e salvar a moça, independente do que ela tenha feito (lembramos que até o anjo aparecer em sonho, José não sabia que o feto era fruto do Espírito Santo).
                 A atitude de José antecipa o que Paulo diz em I Cor 13, 7: "O amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".

                 Amamos as pessoas pelo que elas talvez fizeram ou pelo que elas SÃO?


quinta-feira, 5 de março de 2015

Cartas do deserto


   “Quando cheguei a El Abiod Sid Seik para o noviciado, meu mestre dissera-me com toda a calma de um homem que já passara vinte anos no deserto: ‘Il fautfaire une coupure, Charles.’1
        Compreendi o significado daquela frase e decidi realizar o corte, ainda que doloroso.
       Conservara na mala um caderno espesso no qual estavam anotados os endereços dos meus velhos amigos: haviam milhares.
           Em sua bondade, o Senhor jamais me deixara faltar a alegria da amizade e a barca de minha vida navegava através de um rio de amor.
         Se no momento de minha partida para a África levava comigo um pesar oculto, era certamente o de não poder falar com cada um deles, explicar-lhes a razão do abandono, dizer-lhes que estava obedecendo a um chamado claro de Deus e que, embora de outra trincheira, prosseguiria a militar com eles no campo do apostolado.
      Mas era preciso levar a termo a famosa ‘coupure’, e fi-lo corajosamente e com grande confiança em Deus.

Tomei o caderno, que era o meu último liame com o passado, e por ocasião de um retiro queimei-o atrás de uma duna.”




____________________________
1 Traduz-se do francês: "Precisamos fazer um corte, Charles."

Referência Bibliográfica

CARRETO, Carlos. Cartas do Deserto. São Paulo, Paulinas, 1974, pp. 9-10.