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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Sim, você é um nazista


Em 2017 farão 72 anos do final da Segunda Guerra Mundial, e também quando os campos de concentração foram libertados por soviéticos e estadunidenses das mãos dos carrascos nazistas.
Hoje, passado tanto tempo, vemos com horror as atrocidades daqueles locais. Mas caso você vivesse naquela época, não seria assim, provavelmente.
           Você que fala “bandido bom é bandido morto”, apoiaria sim os campos de concentração. Sim, você é um nazista. É chocante, mas para melhor entender, voltemos a um aspecto estético que era colocado nos prisioneiros: os triângulos de identificação, particularmente o rosa, o preto e o verde.

Relação dos triângulos colocados em prisioneiros
de campos de concentração
         Ficamos chocados com os triângulos rosas colocados nos uniformes de homossexuais, mas caso aprofunde-se mais, o homossexualismo era um rime sexual, então todos os outros crimes nesse nível eram contemplados com esse símbolo. Estupradores e pedófilos eram também postos nos mesmos galpões dos homossexuais com identificação do triângulo rosa.
       Os triângulos pretos hoje são comumente referidos às prisioneiras de comportamento antissocial (lésbicas, feministas), mas outros detentores foram esquecidos: prostitutas, alcoólatras e sindicalistas tinham o triângulo preto costurado nas mangas das camisetas.
            Por fim, os triângulos verdes. Eram os criminosos comuns: assassinos e ladrões.
            Talvez lendo esse texto você identifique-se com o nazismo, ou soe escandalosa essa minha afirmação. Lutar pela dignidade dos encarcerados não é defender crimes: é evitar que eles sejam cometidos novamente por uma sociedade doente e com um ciclo de violência cujos presídios fazem parte.

         Ou realmente você seja um nazista. Assuma seu posicionamento, ou ficarás como aqueles cristãos que defendem a morte de criminosos, mas cultuam a figura de Paulo, um assassino confesso convertido.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Sargento Ewaldo Meyer - criador do desenho da cobra fumando (Força Expedicionária Brasileira)


Nasceu no Rio de Janeiro-RJ (na época Distrito Federal) em 21 de setembro de 1925, numa família de 4 irmãos. Teve uma infância e juventude muito tranquila, sendo seu principal divertimento frequentar praia e visitar museus e locais históricos. Seu pai tinha uma indústria de tintas e sua mãe era do lar.

Com 18 anos de idade foi convocado para o serviço militar (na época era menor de idade). Foi um choque ser convocado, pois o Brasil estava em guerra com o Eixo. Foi se apresentar numa unidade em Duque de Caxias, onde recebeu o uniforme e as primeiras instruções (marcha, tiro, doutrinação militar). Foi transferido para um batalhão de engenharia, em Triagem, onde havia vários catarinenses. Posteriormente foi para um batalhão de guarda, na antiga avenida Pedro Livo. Era um batalhão momentâneo a fim de distribuir as tropas.

Na rua São Francisco Xavier estava pronto para o embarque o QG da Força Expedicionária Brasileira, e para lá o jovem Ewaldo foi. Era dirigido pela 3ª sessão do Estado Maior, cujo chefe era o então coronel Humberto de Alencar Castello Branco. Ficaram por ali alguns meses organizando as funções e embarcaram em 2 julho de 1944 no 1º escalão. Mas em vez de ir com o coronel Castello Branco, ele foi junto ao general Zenóbio da Costa. Durante a viagem, o navio ia ziguezagueando para despistar possíveis torpedeamentos alemães, e também eram feitos exercícios caso houvesse ataque, o que assustavam muitos militares ali, pois era uma simulação real. Depois de 15 dias de navio, desembarcaram em Nápoles.


Para um jovem de 18 anos, vindo da beleza do Rio de Janeiro, foi um choque ver a cidade de Nápoles praticamente em ruínas, navios destruídos, incêndios. Os soldados foram para um terreno onde havia um vulcão extinto, próximo ao porto, onde viam os outros navios chegando e bombardeios dos alemães. Depois, foram de caminhão para Tenuta di San Rossore, próximo à Pisa. Havia uma anedota que alemães vestiam-se de mulher para infiltrar-se nos campos brasileiros e sequestrar soldados.

Ewaldo foi colocado à disposição do general Zenóbio. Logo depois junta-se a eles o coronel Castello Branco com a 3ª sessão e o general Mascarenhas assume o comando geral da FEB, na 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, tropa do QG, que ficava em Porreta Terme, na região da Emilia Romanha. A função do sargento Ewaldo era registrar em mapas todas as movimentações das tropas e as diretivas de combate. A FEB recebia as orientações do 4º corpo do V Exército dos EUA. Foi ali em Porreta Terme que nasce o famoso desenho da cobra fumando, emblema da Força Expedicionária Brasileira. O próprio Ewaldo nos conta essa história (assista ao vídeo abaixo):


O QG fica em Porreta Terme até a batalha de Monte Castelo ser finalizada (fevereiro de 1945); com o recuo dos alemães, o QG é transferido várias vezes para várias localidades, até chegar em Alessandria, onde ocuparam o local que tinha sido o comando alemão na Itália.

Sargento Ewaldo é o primeiro da direita para a esquerda


Ficou marcado para o jovem Ewaldo o clima de destruição e morte, e como trabalhava no QG, as constantes informações sobre perdas de militares. Perdeu dois amigos que tinham acabado de chegar do Rio em um bombardeio ao lado do QG.



Viveu no coração da guerra, justamente pelo contato com os altos oficiais brasileiros e norte-americanos. Segundo ele, os comandantes eram sérios e compenetrados na missão, somente o major Luiz Mendes da Silva era mais comunicativo.

Após o retorno ao Brasil, durante um passeio em São Paulo, foi indicado pelo major Luiz para ir até a Escola Técnica de Aviação falar com o irmão dele. Acabou arranjando emprego e foi trabalhar na sessão de manutenção das aeronaves. Depois, dois instrutores da escola convidaram Ewaldo para trabalhar com eles numa firma de importação de peças de automóvel. Nesse meio tempo conheceu sua esposa Nair Verzola (nascida em 23 de maio de 1923 em Dobrada-SP), que era nutricionista no Hospital das Clínicas de São Paulo. Tiveram 3 filhos: Ney, Elcio e Marcio. Reside no bairro Jabaquara, em São Paulo.

Ewaldo e sua esposa Nair


A ele nossa gratidão por ter participado da luta pela democracia e liberdade dos povos!


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Teologia da libertação – definição, prós e contras e posição oficial da Igreja

          Recentemente, após algumas acusações de comunismo à minha pessoa, resolvi escrever sobre o que é a Teologia da Libertação, argumentos contra e a favor e a verdadeira posição oficial da Igreja sobre o assunto. Todo o artigo está recheado de links que podem ajudar você, leitor ou leitora, a perceber de forma clara o assunto, fugindo de "achismos" ou argumentos meramente violentos,  como temos infelizmente encontrados em sites e redes sociais.
         Boa leitura!



I.     Definição e origens
         A Teologia da Libertação é uma corrente teológica do pensamento católico (que posteriormente transcendeu a outras denominações religiosas), surgida a partir na década de 60 na América Latina, que exige uma opção preferencial pelos pobres, a partir da leitura do Evangelhos, bem como  da prática de Jesus Cristo.
            A Teologia no século XX passou por um ressurgimento a partir do movimento neotomista, onde há uma abertura aos problemas modernos. Destaca-se também a influência do filósofo Maurice Blondel na questão da imanência. Despontam nomes como Pe. Karl Rahner SJ1, Frei Marie-Dominique Chenu OP2, Frei Yves Congar OP, cardel Pe. Henri De Lubac SJ, Pe. Hans Urs von Balthasar, Pe. Joseph Ratzinger (atual papa-emérito Bento XVI), Frei Edward Schillebeeckx OP, entre outros. A situação econômica pós II Guerra Mundial, o avanço frenético do capitalismo e o Concílio Vaticano II também fizeram um pensar teológico diferente. A influência de pensadores protestantes, como Jürgen Moltmann, Richard Shaull, Johann Baptist Metz e Harvey Cox também estava presente no ressurgimento da teologia católica do século XX.
Frei Gustavo Gutierrez, OP, criador do
termo "teologia da libertação"
            A libertação no sentido político-econômico, surge com dois sociólogos latino-americanos, o brasileiro Fernando Henrique Cardoso e o chileno Enzo Faleto, que elaboraram a teoria da dependência e da libertação, em oposição à então vigente teoria do desenvolvimento3, no livro Dependência e desenvolvimento na América Latina: ensaio de interpretação sociológica, de 1970. Na pedagogia, com o educador brasileiro Paulo Freire e na filosofia, com o argentino Enrique Dussel. Lembremos também que era o início das ditaduras militares na América Latina, que colocaram as Igrejas Cristãs contra a parede em suas posições.

            O termo teologia da libertação foi cunhado pelo Padre Gustavo Gutierrez (atualmente frade dominicano), em seu livro “Teologia da Libertação: Perspectivas”, em 1971 (baixe o livro AQUI), mas as raízes do movimento, como vimos. são anteriores. Segundo Gutierrez, a definição de libertação é a seguinte:

Libertação exprime, em primeiro lugar, as aspirações das classes sociais e dos povos oprimidos, e sublinha o aspecto conflituoso do processo econômico, social e político que os opõe às classes opressoras e aos povos opulentos.4

            Os grandes expoentes da Teologia da Libertação são, além do pe. Gutierrez, os teólogos Leonardo Boff (ex-frade franciscano), Pe. Jon Sobrino SJ, Pe. José Comblin e Pe. Juan Luis Segundo SJ, dentre outros.
            Apresentarei agora os atuais principais críticos da Teologia da Libertação e, sem seguida, os argumentos dos que a defendem, para após isso, apresentar o que realmente a Igreja fala dessa corrente teológica.

I. Críticas
            Segundo seus críticos mais ferrenhos, a Teologia da Libertação deturpa o pensamento católico ao colocar conceitos marxistas em suas teorias, como a luta de classes, o ódio às instituições (que pode desembocar na Igreja), e uma negação da transcendência, pois tudo seria visto sob o aspecto político e material.
Felipe Aquino (esquerda) e Pe. Paulo Ricardo, dois
grandes críticos da TL atualmente no Brasil

            O Padre Paulo Ricardo, da Arquidiocese de Cuiabá-MT, que possui vários cursos em seu site oficial, dedica uma parte de seu curso “Revolução e Marxismo Cultural” só sobre a Teologia da Libertação, que você pode conferir AQUI. Segundo o sacerdote, a teologia da libertação faz uma negação do processo transcendental, sendo o Reino de Deus apenas imanente. Faz uma reflexão dizendo que a Teologia da Libertação prega a revolução e acusa o marxismo de infiltrar-se na Igreja através da Teologia da Libertação. Infelizmente toda essa reflexão do Pe. Paulo Ricardo acerca da Teologia da Libertação carece de referências bibliográficas, ficando apenas no plano da citação de autores e interpretação livre do referido canonista.
            O prof. Felipe Aquino, membro da comunidade Canção Nova, também é um dos mais ávidos críticos da Teologia da Libertação. Já se envolveu numa grave polêmica com Dom Pedro Casaldáliga, bispo-emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia-MT (conteúdo você pode conferir AQUI a carta e AQUI o esclarecimento da mesma). Felipe Aquino escreveu alguns artigos contra a Teologia da Libertação, baseando-se em um artigo de 1984 do então Cardeal Dom Joseph Ratzinger, intitulado Eu vos apresento a Teologia da Libertação. Ao contrário do Pe. Paulo Ricardo, Felipe Aquino cita suas referências e contribui para o debate mais teológico da questão, alertando para um possível perigo dessa corrente teológica.

II. Argumentos prós
            Em um livro de 1985, chamado Como fazer Teologia da Libertação, o então frei Leonardo Boff, OFM seu irmão, Frei Clodovis Boff, OSM, argumentam que que só utilizam algumas indicações metodológicas do sistema marxista, rechaçando materialismo histórico-dialético, pois a práxis libertadora é centrada no Cristo5.

Da esquerda pra direita: Leonardo Boff, Pe. Jon Sobrino SJ e Pe Juan Luis Segundo,
três dos maiores expoentes da TL na América Latina
            Os defensores da Teologia da Libertação argumentam que seu embasamento é bíblico, e que ela abriu o leque para vários problemas que até então não tinham uma devida atenção num campo teológico majoritário: exploração trabalhista, negros e o preconceito racial, mulheres, ecologia, etc.
            As chamadas CEB’s (Comunidades Eclesiais de Base) serviram, segundo os defensores da Teologia da Libertação, para ampliar a fé nas comunidades mais simples, onde o pobre pode ser o agente de sua libertação. Segundo o Pe.João Batista Libânio SJ (falecido em 2014) e o Irmão Afonso Murad FMS6, a Teologia da Libertação relaciona-se criticamente com as práticas sociais, pois colhe e formula uma reflexão teológica a partir das perguntas de leigos católicos engajados em movimentos sociais, pastorais comprometidas, CEB’s, grupos de defesa de direitos humanos, e também nos campos da liturgia e eclesiologia7.
            A crítica da Teologia da Libertação ao capitalismo faz com que muitos a acusem de ser mancomunada com o comunismo. Mas a Igreja se opõe a essas duras correntes políticas. Só sobre contra o capitalismo, por exemplo, escreveram os papas Leão XIII (Rerum Novarum), Pio X (Editae Saepe, Notre Charge Apostolique, Carta ao Cardeal Ferrari), Pio XI (Divinis Redemptoris, Quadragesimo Anno), João XXIII (Mater et Magistra), Paulo VI (Populorum Progresio), João Paulo II (Laborens Exercens, Sollicitudo Rei Socialis, Centesimus Annus) e Francisco (Evangelii Gaudium). Criticar o capitalismo deve ter o mesmo peso da crítica ao comunismo.

III. Posição oficial da Igreja

            Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a Igreja nunca condenou a teologia da libertação muito menos a classificou como herética. A frase escrita por Dom Joseph Ratzinger no artigo já citado de 1984 é emblemática e desafia a uma reflexão: “(...) a radicalidade da teologia da libertação faz com que a sua gravidade não seja avaliada de modo suficiente; não entra em nenhum esquema de heresia até hoje existente.”
            Oficialmente a Igreja lançou dois documentos: um em 1984, chamado Libertatis nuntius (publicado no Brasil como Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”, você pode baixa-lo AQUI) que trata especificadamente dessa corrente teológica, e outro em 1985, chamado Libertatis Conscientia (publicado no Brasil como Instrução sobre a liberdade cristã e a libertação, (você pode baixa-lo AQUI) que trata de pressupostos teológicos dos temas da liberdade e da libertação.
            No documento de 1984, a Igreja afirma que a análise marxista é insuficiente e condena a reflexão sobre a luta de classes, enfatizando que isso leva à violência. Porém, reitera que:

Uma teologia da libertação corretamente entendida constitui, pois, um convite aos teólogos a aprofundarem certos temas bíblicos essenciais, com o espírito atento às graves e urgentes questões que a atual aspiração pela libertação e os movimentos de libertação, eco mais ou menos fiel dessa aspiração, põem à Igreja. Não é possível esquecer, por um só instante, as situações de dramática miséria de onde brota a interpelação assim lançada aos teólogos8.
           
            O documento ainda reforça que a teologia da libertação deve sempre estar atenta à Doutrina Social da Igreja e assentada nos três pilares citados na III Conferência do Episcopado Latino-Americano de Puebla: a verdade sobre Cristo, a verdade sobre a Igreja e a verdade sobre o homem.
Em 1984, o então cardeal Dom Joseph Ratzinger, em
documento oficial, escreveu que pode haver uma
"(...) teologia da libertação corretamente entendida".
            Em 1986, com a instrução Libertatis Conscientia, alguns pressupostos teológicos são mais abordados e estendidos, mas reforma a tese de que a Teologia da Libertação é uma teologia da Igreja, porém tendo-se de afastar das ideologizações e preocupações apenas terrenas:

(...) uma teologia da liberdade e da libertação, como eco fiel do Magnificat de Maria conservado na memória da Igreja, constitui uma exigência do nosso tempo. Mas seria uma grave perversão captar as energias da religiosidade popular com o fim de desviá-las a um projeto de libertação meramente terrena, que se revelaria, muito cedo, uma ilusão e causa de novas servidões. Os que cedem dessa forma às ideologias do mundo e à pretensa necessidade da violência não são mais fiéis à esperança, à sua audácia e coragem, tais como as enaltece o hino ao Deus de misericórdia, que a Virgem nos ensina.9

Cardeal Dom Gerhard Müller
            Mais recentemente, o cardeal Dom Gerhard Ludwig Müller, atual prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, apaziguou oficialmente os ânimos da Igreja com a Teologia da Libertação. Em 2014, no lançamento de seu livro Pobre para com os pobres (prefaciado pelo Papa Francisco) falou que a Teologia da Libertação foi esclarecida (confira AQUI) e também em outro momento afirmou que “(...) é necessário distinguir uma Teologia da Libertação equivocada e uma correta.” (confira AQUI).
        Pode-se claramente perceber, caso necessitem consultar os documentos oficiais e as declarações de Dom Müller, que a Teologia da Libertação, corretamente interpretada, faz parte do pensamento católico.

IV. Alguns mitos a seres esclarecidos
·      Não há nenhuma referência em livros científicos da Teologia da Libertação repudiando as normas litúrgicas e o uso do hábito eclesiástico. Se algum teólogo da libertação o faz, é por sua conta verbal.
·         A Teologia da Libertação nunca foi condenada. Ela foi corrigida e alertada.
·     Leonardo Boff não foi excomungado pela Igreja. Ele foi colocado em “silêncio obsequioso” por duas vezes e deixou o ministério sacerdotal e a vida religiosa em 1992.
·         O grande problema acerca da Teologia da Libertação, dentro do campo científico, é a possível relação dela com o marxismo. Fora disso, são discussões muito ligadas a questões políticas, como acontece em diversos sites da internet e redes sociais. Ou seja, preocupações terrenas.
·         Todos os livros escritos por um padre ou religioso recebem o imprimatur da autoridade eclesiástica competente, assim de algum modo falam em nome da Igreja. Portanto, todos os livros de Teologia de Leonardo Boff escritos antes de 1992, somente para citar um exemplo, podem ser estudados no campo acadêmico teológico sem problemas.
·         Sobre a posição da Igreja acerca do socialismo e do comunismo, a Igreja critica o socialismo, dizendo de sua incompatibilidade com a doutrina cristã (através do papas Pio IX, Leão XIII, Pio X, Pio XI e João Paulo II). Faz o mesmo com o liberalismo/capitalismo (com os papas Pio IX, Pio X, Pio XI, Paulo VI, João Paulo II e Francisco). Porém, o comunismo é passível de excomunhão por um decreto de 1949 de Pio XII. A Igreja sabe que o socialismo e o comunismo não são a mesma coisa e infelizmente há pessoas que caem no erro de coloca-los na mesma “panela”. Estou escrevendo uma longa reflexão sobre esse assunto, breve estará disponível.

            E você caro leitor? Como se posiciona de forma teologicamente frente a essa polêmica questão? Longe de ser terminada nos meios mais simplistas, acredito que a Igreja já deu sua posição frente a essa parte, através de seus documentos magisteriais.

________________
1 SJ, sigla para Societas Jesus, jesuítas.
2 OP, sigla para Ordum Precatorium, dominicanos.
3 Cf. LIBÂNIO e MURAD, 2001, p. 163.
4 GUTIERREZ, 1975, p. 68.
5 Cf. BOFF, L, 2001, pp. 50-51.
6 FMS, sigla para Frater Maristae a Schollis, maristas.
7 Cf. LIBÂNIO e MURAD, 2001, p. 183.
8 SAGRADA CONGREGAÇÃO DA DOUTRINA DA FÉ, 1984, p. 15.
9 SAGRADA CONGREGAÇÃO DA DOUTRINA DA FÉ, 2007, p. 71.

Referências Bibliográficas

AQUINO, Felipe. O que é a Teologia da Libertação? Disponível em: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2012/02/15/o-que-e-a-teologia-da-libertacao/

AZEVEDO JUNIOR, Paulo Ricardo de. Teologia da Libertação e sua influência na Igreja. Disponível em: https://padrepauloricardo.org/aulas/teologia-da-libertacao-e-sua-influencia-na-igreja

BOFF, Leonardo e BOFF, Clodovis. Como fazer Teologia da Libertação? 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

GUTIERREZ, Gustavo. Teologia de la liberación: perspectivas. 7. ed. Salamanca: Sígueme, 1975.

JOÃO PAULO II. Carta do Papa à CNBB sobre a missão da Igreja e a Teologia da Libertação. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/1986/documents/hf_jp-ii_let_19860409_conf-episcopale-brasile.html

LIBÂNIO, João Batista e MURAD, Afonso. Introdução à Teologia: perfil, enfoques, tarefas. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2001.

RATZINGER, Joseph. Eu vos explico o que é a Teologia da Libertação. In: BETTENCORT, Estevão (org.). Revista Pergunte e Responderemos – nº 276, ano XXV. Rio de Janeiro: Lumen Christi, 1984.

SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Instrução geral sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”. São Paulo: Paulinas, 1984 (Col. “A voz do Papa”).

________. Instrução sobre a liberdade cristã e a libertação. 6. ed. São Paulo: Paulinas, 2007 (Col. “A Voz do Papa”).

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Intervenções de Santa Teresinha do Menino Jesus na Primeira Guerra Mundial



            Irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face (1873 – 1897) é uma das mais populares santas católicas do mundo contemporâneo. Viveu apenas 24 anos e praticamente a maior parte da sua vida na cidade de Lisieux, onde por 9 anos esteve no Carmelo dessa cidade. A espiritualidade de Teresa e a profundidade de seus escritos influencia até hoje o pensamento católico.
            A devoção à Santa Teresinha se expandiu da França para o resto do mundo por um fato curioso, quase desconhecido: soldados franceses que lutavam nas trincheiras durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) sentiram durante o conflito a intercessão da santa, e em agradecimento, enviaram cartas ao Carmelo de Lisieux. Com tantas cartas, o Carmelo um dia decidiu compilá-las num documento chamado Pluie de roses (“Chuva de rosas”, uma expressão de Teresa antes da morte), onde já estavam anexadas também outras correspondências de graças alcançadas dos anos 1906 a 1912. Pluie de roses foi publicado até 1926, totalizando 10 volumes, com 3200 testemunhos.

            Esse assunto despertou-me curiosidade após ter sido citado pelo meu mestre no Postulantado, Pe. José Napoleão, SCJ, durante uma formação. Fui então, em busca das cartas e traduzi alguns desses relatos, que você pode encontrá-los na íntegra do Pluie de roses, através do link https://www.bibliotheque-monastique.ch/bibliotheque/bibliotheque/saints/carmel/thereseenfj/pluieroses/index.htm (os relatos estão todos em francês)

***


Campo de prisioneiros de guerra, Meiringen (Suíça), 8 de março de 1916.

            Feito prisioneiro em Maubeuge, em 8 de setembro de 1914, eu fui internado em Friedrichsfeld. Uma noite do mês de junho de 1915, deixando a capela, depois de uma fervorosa oração à Irmã Teresa, para não ser enviado a trabalhar nas usinas da Alemanha, fui tomado por um forte odor de rosas. Ora, eu estava rodeado de uma cabana em madeira, sem nenhum jardim nas imediações; o suave perfume se prolongaria quase meia hora. A santinha aceitou assim, com certeza, que ela tinha escutado minha súplica. De fato, no dia seguinte, convocado para a visita, o doutor não olhou para mim, e enquanto muito dos meus camaradas foram designados para partir, eu fui classificado como um doente velho, e enviado para a Suíça. No entanto, minha saúde é muito boa.
            Eu agradeço muito à pequena Irmã Teresa desse duplo previlégio.

Edouard Dekonne,
soldado internado, 
Hôtel Anderegg.  Meiringen (Suíça)


Do front, 28 de julho de 1917.

            Soldado belga, muito confiante em Irmã Teresa do Menino Jesus, eu gostaria de assinalar a proteção notável da qual fui o objeto recentemente, em frente à Dixmude.
            Eu estava nas trincheiras, por volta das 8:30 da noite, quando um bombardeiro de uma violência enorme se desencadeou sobre nós. Uns projeteis de grande calibre caíram aos milhares nos arredores do abrigo frágil, onde eu vinha me refugiado, explodindo de todas as partes, umas por cima das outras, ou nos lados, ou no parapeito da nossa linha, enquanto que um torpedo se afundava na terra, cavando enormes buracos. Se somente um destes projeteis tivessem passado no meu abrigo, eu e meus camaradas estaríamos perdidos. Mas eu rezei à Irmã Teresa e ela desviou todos, enquanto que todas as trincheiras próximas foram arrasadas, sem exceção de uma só!
            Nós estávamos, sob o fogo incessante, depois de quatro longas horas, num estado de angústia e de nervosismo que pressentia, quando implorei para a santinha não somente de nos proteger, mas de fazer cessar o bombardeio terrível. E bem, eu afirmo que no mesmo instante onde eu fazia esta oração, a voz do canhão se desacelerou, e três minutos mais tarde, mais um só tiro não foi dado.
            Jamais vou esquecer deste milagre da Irmã Teresa!
             
A. Docobu,
6e Brig M. V. D. 
D. 110. Exército belga.



Nos Exércitos, 8 de setembro de 1917.

Senhora Superiora,
           
            Eu li na imprensa, nos últimos tempos, diversas comunicações a respeito da Irmã Teresa do Menino Jesus, e, no momento onde todos os lados afirmam seu poder, eu não posso deixar de reportar um grande testemunho de sua glória.
            Nas primeiras semanas desta grande guerra, eu recebi de minha noiva uma relíquia de Irmã Teresa e sua imagem, e a carta que as acompanhava me dizia: “Guarde-as valiosamente e nunca separe-se jamais, eu tenho certeza que a pequena Irmã te preservará.”
            Depois, eu sempre as conservei comigo, e veio um dia onde eu senti um modo evidente a proteção que eu tinha.
            Foi no último maio; meu departamento de ligação me chamou a um posto remoto de poucos quilômetros de onde eu me encontrava. No caminho, fui subitamente surpreendido por uma terrível ação conjunta de soldados, algo terrível; primeiro, eu me joguei em um buraco; em seguida, entre balas, eu queria achar um abrigo próximo, mas, quando eu estava entrando, vi um soldado escondendo-se sob uma árvore caída, gesto que convidava-me a acompanhá-lo. Levou-me embora, porque alguns minutos mais tarde, o abrigo onde eu pretendia refugiar-se desmoronou sob o fogo e matou todos os ocupantes... eu ainda tremo só de pensar no que teria acontecido comigo, e aqui no meio da metralha neste dilúvio de fogo, sem sequer tendo pensado de invocar a santa carmelita, sua imagem tomou forma diante dos meus olhos, e uma voz interior me disse: “E a pequena irmã Teresa te salvou.” Então eu não pensei sobre isso, como explicar esta misteriosa voz convidando-me para agradecer? Pareceu-me uma intervenção real da querida santa, e eu ofereço-lhe o tributo de minha imensa gratidão.
            Atenciosamente,

            H. Rocher, brigadeiro,
            51e rég. d'art., 71e Brie.


***

            Muitas dessas graças também foram comunicadas ao papa Bento XV, como você pode ver clicando AQUI que te encaminhará ao link que contém os relatos (em francês). Durante e após o conflito, também muitos soldados foram ao túmulo de Teresa no Carmelo agradecer a ajuda espiritual.
Grupo de soldados visitando o antigo túmulo de Teresa no
Carmelo de Lisieux, por volta de 1915.

            Santa Teresinha, a doutora do Amor, que não deixou de trazer esse dom em meio à guerra e sofrimento! Rogai a Deus por nós!


Referências Bibliográficas

Cartas das trincheiras. In: http://www.arautos.org/artigo/63980/Cartas-das-trincheiras.html, acessado em: 01/05/2015, às 22h30.

Les pluies de roses. http://www.archives-carmel-lisieux.fr/carmel/index.php/miracles/les-publications-pluies, acessado em: 11/05/2015, às 13h15.



Suppliques des soldats de la 1ère Guerre au Pape Benoît XV. http://www.archives-carmel-lisieux.fr/carmel/index.php/apres-1897/la-1ere-guerre/suppliques-des-soldats-de-la-grande-guerre-au-pape, acessado em 10/05/2015, às 20:00.


quinta-feira, 5 de março de 2015

Cartas do deserto


   “Quando cheguei a El Abiod Sid Seik para o noviciado, meu mestre dissera-me com toda a calma de um homem que já passara vinte anos no deserto: ‘Il fautfaire une coupure, Charles.’1
        Compreendi o significado daquela frase e decidi realizar o corte, ainda que doloroso.
       Conservara na mala um caderno espesso no qual estavam anotados os endereços dos meus velhos amigos: haviam milhares.
           Em sua bondade, o Senhor jamais me deixara faltar a alegria da amizade e a barca de minha vida navegava através de um rio de amor.
         Se no momento de minha partida para a África levava comigo um pesar oculto, era certamente o de não poder falar com cada um deles, explicar-lhes a razão do abandono, dizer-lhes que estava obedecendo a um chamado claro de Deus e que, embora de outra trincheira, prosseguiria a militar com eles no campo do apostolado.
      Mas era preciso levar a termo a famosa ‘coupure’, e fi-lo corajosamente e com grande confiança em Deus.

Tomei o caderno, que era o meu último liame com o passado, e por ocasião de um retiro queimei-o atrás de uma duna.”




____________________________
1 Traduz-se do francês: "Precisamos fazer um corte, Charles."

Referência Bibliográfica

CARRETO, Carlos. Cartas do Deserto. São Paulo, Paulinas, 1974, pp. 9-10.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Material didático para História

Disponibilizo no meu OneDrive, um material didático da disciplina de História que contém:

* Livros em pdf e doc;
* Slides;
* Provas e planos de aula;
* Trabalhos de alunos;
* Imagens.

Para ter acesso e fazer o download aquilo que achar interessante e necessário, clique na imagem abaixo.


Representação contemporânea do rei Balduíno IV de Jerusalém (1161-1185) diante das relíquias da Santa Cruz.
Imagem disponível em: http://giacobino.deviantart.com/art/Baldwin-s-prayer-168630771

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

História de amor no campo de concentração

                                     

          Manhã fria de 1942. Em um campo de concentração nazista, Shimon olha através de uma cerca de arame farpado e vê uma jovem linda como a luz do sol, seu nome é Anne. A garota também o vê e seu coração pula como um cabrito perseguido por um enxame de abelhas. Ela quer expressar seus sentimentos e atira uma maçã vermelha pela cerca. A maçã lhe traz vida, esperança e amor. Shimon a recolhe e um raio de luz ilumina seu mundo obscuro. Ele não dorme aquela noite. O rosto angelical e o sorriso tímido de Anne vêm à sua lembrança.

             No dia seguinte, tem uma vontade louca de tornar a vê-la. Aproxima-se outra vez da cerca e, para sua surpresa, vê Anne de novo. Ela aguarda a chegada misteriosa do jovem que tocou seu coração. Ali está ela, com outra maçã vermelha na mão.

          Faz muito frio. O vento gelado sopra, produzindo um lamento triste. Apesar disso, dois corações se aquecem pelo amor enquanto as maçãs atravessam a cerca. O incidente se repete vários dias. Dois jovens, de lados opostos da cerca, buscam um ao outro. Só por um momento. Apenas para trocar olhares ternos. O encontro é chama que arde. O sentimento inexplicável de ambos é o combustível.

              Certo dia, ao fim desses momentos doces, Shimon lhe diz com expressão triste:

            ─ Amanhã não me traga a maçã. Não estarei mais aqui; vou ser enviado para outro campo de concentração.

            Aquela tarde o rapaz vai triste, com o coração partido. Talvez nunca mais volte a vê-la.

            Desde aquele dia, a imagem linda da doce jovem aparece em sua mente em momentos de tristeza. Seus olhos, as poucas palavras, a maçã vermelha. Para ele, tudo é alegria na tristeza. Sua família morre na guerra. Sua vida é quase destruída, mas nos momentos mais difíceis a imagem da jovem de sorriso tímido lhe traz alegria, alento e esperança.

            Os anos passam. Um dia, nos Estados Unidos, dois adultos se conhecem por acaso em um restaurante. Conversam da vida. Falam de seus encontros e desencontros.
  
                                      


             ─ Bem, onde você esteve durante a guerra? - pergunta a mulher.

              ─ Estive em um campo de concentração na Alemanha - responde o homem.

            ─ Eu me lembro de que jogava maçãs através da cerca a um jovem que também estava no campo de concentração - recorda a mulher.

            Com o coração aos saltos, quase lhe saindo pela boca, o homem balbucia:

            ─ E este jovem lhe disse um dia: "Amanhã não me traga a maçã, porque que vão me levar para outro campo de concentração"?

            ─ Sim - ela responde, pressentindo algo maravilhoso.  ─Mas como você pode saber isso?

            Ele a olha nos olhos, como se olha para uma estrela, e lhe diz:

            ─ Eu era esse jovem.

            Silêncio. Tantas lembranças, tanta saudade, tanta esperança de voltar a vê-la! As palavras quase não lhe saem, mas continua:

            ─ Separaram-me de você um dia, mas nunca perdi a esperança de voltar a vê-la. Quer se casar comigo?

            Abraçam-se bem forte, enquanto ela sussurra em seus ouvidos:

            ─ Sim, claro que sim, mil vezes sim.


            Os nomes dessa história são fictícios, porém a historia é real. No Dia dos Namorados em 1996, numa transmissão nacional do programa de Oprah Winfrey, esse mesmo homem confirmou seus 40 anos de amor pela esposa: Você me alimentou em um campo de concentração, me alimentou de esperança ao longo dos anos. Agora eu continuo com fome, mas apenas com fome de seu amor”.


Referência Bibliográfica

HALBERTAM, Yitta e LEVENTAL, Judith. Pequenos Milagres: Coincidências extraordinárias do dia a dia. Ed. Sextante, 1998.


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Tour Monástico

          

       Entre os dias 4 e 11 de janeiro de 2015, eu e um grupo de amigos um tour pelos mosteiros católicos de SC e PR. Segue o relato dessa fantástica experiência!
      Como surgiu: a srta. Kamila Onofri, que já tinha ido visitar os Mosteiros Trapistas feminino e masculino, bem como o Mosteiro do Encontro, relatou ao seminarista Lucas o desejo de retornar e convidar mais alguém para ir junto. Como das outras vezes ela foi de ônibus e a viagem é deveras cansativa, gostaria que um motorista que conhecesse o caminho e se interessasse pelo assunto fosse junto. Foi aí que eu entrei na história, indicado pelo Lucas a conversar com a Kamila.
Da esquerda para a direita: Letícia, Gabriel,
Nahor, Kamila e Lucas
            A Kamila também convidou os jovens Gabriel Berlatto e Leticia Moraes para a empreitada. Tudo certo, fomos se organizando e marcando com os mosteiros as datas de hospedagem. A Kamila sugeriu que esticássemos a viagem para o Mosteiro da Ressurreição, num tour que durasse exatos 7 dias. E assim foi até o dia 4 de janeiro de 2015.


            1º dia (4/01) – Mosteiro Trapista Nossa Senhora da Boa Vista – Rio Negrinho-SC
 
Fachada da nova capela do mosteiro. Foto: Lucas Teixeira
            Domingo, Solenidade da Epifania do Senhor. Partimos de Itajaí por volta de 5h15, chegando em Rio Negrinho às 8h30. Organizando as coisas na hospedaria, participamos da Santa Missa às 10h, que é aberta ao público. As irmãs trapistas, no coreto, cantam belíssima e pausadamente os cantos, acompanhadas do órgão e da cítara. O capelão do mosteiro, Pe. Lázaro Pires dos Santos OCSO1 (que pertence ao Mosteiro de Campo do Tenente, sendo liberado para essa função), conduziu com belas palavras a reflexão sobre a Epifania do Senhor.
Santa Missa dominical. Solenidade da Epifania do Senhor.
Pe. Lázaro e as monjas em seu coro. Foto: Nahor Lopes

Comunidade reunida para a missa dominical. Foto: Nahor Lopes


A cítara das monjas. Utilizam sempre nas suas orações.
Foto: Gabriel Berlatto
Crianças encantadas com a cítara. Foto: Nahor Lopes

A fábrica de chocolate das monjas. Não podemos entrar pois fica
na clausura. Foto: Lucas Teixeira
            Após o almoço fomos conhecer o Seminário São José, no centro de Rio Negrinho, onde residi no ano de 2014. Fomos acolhidos pelo diretor Pe. Luiz Antônio de Faria SCJ2 e Pe. Alírio José Pedrini SCJ, que nos deixaram à vontade para conhecer a casa de formação.

Capela do Seminário São José. Foto: Gabriel Berlatto
Fachada do Seminário São José. Foto: Gabriel Berlatto
Torre da Cimo. Ponto Turístico em Rio Negrinho.
Foto: Gabriel Berlatto.


Da esquerda para a direita: Kamila, Pe. Alírio, Lucas, Gabriel,
Letícia e Pe. Faria. Foto: Nahor Lopes


Praça do Avião em Rio Negrinho. Foto: Gabriel Berlatto.


            Retornamos à noite para participarmos de orações com as monjas e repousar. As Completas, última oração, é por volta de 19h15, e depois disso é silêncio na casa.
            No dia seguinte, antes de partir para Mandirituba, participamos da Santa Missa às 6h e o Pe. Lazáro nos mostrou a construção e ampliação do Mosteiro.
Contrução avançada do mosteiro. Foto: Nahor Lopes
Pe. Lázaro conduzindo nossa turma para mostrar a construção.
Foto: Nahor Lopes

Selfie com Pe. Lázaro!

Local onde foi rezada a primeira missa no mosteiro.
Foto: Nahor Lopes

Nova hospedaria do mosteiro. Foto: Gabriel Berlatto

Um pequeno "claustro" na nova hospedaria. Foto: Gabriel Berlatto


            O que são as(os) Trapistas? É o nome comum para a Ordem Cisterciense da Estrita Observância (OCSO a sigla em latim), nascida oficialmente em 1892 através de uma reforma da Ordem Cisterciense da Comum Observância, reforma esta que já havia sido efetuada em 1662 pelo abade Armand Jean le Bouthillier de Rancé, no mosteiro Nôtre-Dame de La Trappe (Soligny-la-Trappe é uma comuna francesa, daí o nome “trapistas”)
            O mosteiro de Rio Negrinho: 8 irmãs trapistas vieram para o Brasil em 2010, oriundas de um mosteiro em Quilvo, no Chile. Alugaram duas residências em Rio Negrinho onde ficaram até 2013, logo mudando-se para a extensa propriedade no bairro Rio Negrinho que foi conseguida para a construção do novo mosteiro. É o primeiro mosteiro feminino trapista no Brasil. Sua fábrica de chocolates é sucesso em toda a região do Planalto Norte.

            Informações:
     Irmã Liliana OCSO (priora) – mosteiroboavista@gmail.com / mosteiroboavistaliliana@gmail.com / (47) 3646-3197
            Pe. Lázaro OCSO (capelão) – lspires@gmail.com
          Valor da hospedaria: não foi cobrado um valor fixo, cada um de nós deixou R$ 20,00 (o almoço é cedido pelas irmãs, as demais refeições elas disponibilizam os alimentos processados e os hóspedes se responsabilizam em fazê-las na hospedaria)


            2º e 3º dias (5 e 6/01) – Mosteiro do Encontro – Mandirituba-PR
 
Fachada da capela monástica. Foto: Gabriel Berlatto.
            Por volta das 10h saímos de Rio Negrinho em direção à Mandirituba, chegando por volta das 11h30. Fomos recebidos pelas Irmãs Beneditinas com muita alegria, dirigindo-se para a oração da Tércia e em seguida almoço. A seguir, instalamo-nos em nossas hospedarias e participamos das demais orações com as irmãs e dos momentos de silêncio e espiritualidade no local.
Entrada da hospedaria principal, onde ficaram Gabriel, Letícia e
Kamila. Foto: Gabriel Berlatto

Hortências nunca faltaram em todos os locais que tivemos.
Foto: Gabriel Berlatto

Foto: Gabriel Berlatto

Interior da capela monástica. Foto: Gabriel Berlatto.

            No Mosteiro do Encontro, além da hospedaria anexa ao Mosteiro, há duas hospedarias auxiliares (uma chamada “Bethânia”, onde eu e o Lucas ficamos e outra chamada “Santo Amaro”) e um eremitério, onde vive o Pe. Jean-Marie Vigneron MOPP3 (Pe. Jomar), capelão das monjas, um sacerdote francês dos chamados “padres operários” que também cuida da biblioteca do Mosteiro, cujo local tivemos a oportunidade de ver antes de partir para Campo do Tenente na quarta-feira.
            As monjas de Mandirituba fazem artigos religiosos com gesso e ladrilhos, além doces e geleias variados muito populares na região. Há também uma loja que vendem essas coisas e outros produtos, principalmente livros.
            Todas as manhãs que amanhecíamos em Mandirituba, iniciávamos com a Santa Missa.
Momento de oração com as irmãs beneditinas. Foto: Lucas Teixeira

Gabriel e Letícia conversando. Namoro cristão. Debatiam desde
o Cântico dos Cânticos até Chesterton.
Foto: Lucas Teixeira.

A Letícia cuidou do passarinho e ele não quis
mais largá-la. Foto: Lucas Teixeira

Hospedaria Bethânia. Onde eu e Lucas ficamos. Foto: Nahor Lopes

Amigo das monjas. Foto: Lucas Teixeira

Encontro com a vida nascente. Foto: Nahor Lopes

Biblioteca das monjas. Grande parte dos livros
é em francês, devido à fundação belga do mosteiro.
Foto: Nahor Lopes
Santa Missa matinal. Foto: Nahor Lopes



            
           O que é a Congregação das Monjas Beneditinas da Rainha dos Apóstolos? É um ramo da Ordem Beneditina fundada na Bélgica em 3 de maio de 1921 por Dom Théodoro Neve OSB4. O carisma das irmãs funda-se no louvor de Deus através da liturgia e Lectio Divina, dentro da regra de São Bento.
            O Mosteiro do Encontro: em 1964, chegam à Curitiba, chefiadas pela Madre Chantal OSB, irmãs beneditinas do Mosteiro Nôtre-Dame de Béthanie, Loppem-Brugges, na Bélgica. Em 1989 fundaram outro mosteiro no Amazonas. Em 1999, devido ao crescimento da área industrial onde se encontrava o mosteiro, mudam-se para o município de Mandirituba-PR

            Informações:
   Ir. Ana Maria, OSB (prioresa) - occursus@terra.com.br / (41) 3633-1082 / http://www.mosteirodoencontro.org.br
            Valor da hospedaria: R$ 55,00 a diária (inclui todas as refeições)


            4º e 5º dias (7 e 8/01) – Abadia Trapista Nossa Senhora do Novo Mundo – Campo do Tenente-PR
 
Frente da capela monástica. Foto: Gabriel Berlatto

            Por volta das 10h do dia 7, partimos em direção à Campo do Tenente, onde chegamos pelas
Interior da Igreja Matriz Cristo Rei, em Campo do Tenente-PR
Foto: Lucas Teixeira.
11h. Ainda conseguimos visitar antes a Igreja Matriz Cristo Rei, neste município. Após acomodação na hospedaria do mosteiro, participamos da oração da Tércia, seguida do almoço na clausura, em silêncio, onde nós hóspedes ficamos em silêncio escutando uma leitura espiritual (no caso nos dois dias que almoçamos lá, era um trecho de “A vida de Jesus”, de Joseph Ratzinger/Bento XVI). O hospedeiro, Pe. Estevão OCSO, sempre estava à postos para tirar todas as nossas dúvidas e também para possíveis atendimentos individuais.
            Apesar dos mosquitos praticamente nos incomodarem bastante nesses dois dias (os monges haviam cortado a grama naqueles dias e o sol era forte), conseguimos usufruir do local para profunda espiritualidade.
            Tive a graça de reencontrar lá o Pe. Francisco OCSO, que já foi tema deste blog (cf. http://filhodogelo.blogspot.com.br/2014/07/padre-francisco-de-soldado-da-ii-guerra.html). No alto de seus 91 anos, é um exemplo de sabedoria para a comunidade trapista e para os hóspedes que frequentam o local.
Horários do mosteiro. A princípio
parecem assustar. Foto:
Lucas Teixeira
Hospedaria do mosteiro. Foto: Nahor Lopes


Interior da capela monástica. Foto: Nahor Lopes

Monges orando. Foto: Nahor Lopes

            No mosteiro há uma lojinha que vendem muitos livros, ícones, e os doces e pães produzidos pela padaria dos monjes.
            A Santa Missa do mosteiro, sempre após as Laudes das 6h, tem um momento deveras especial: durante o ofertório, os monges fazem um semicírculo defronte ao presbitério, e os demais convidados fazem o mesmo atrás dos monges. Após o “Cordeiro de Deus”, a comunhão já é distribuída, mas ainda não se comunga: após a comunidade proferir “Senhor, eu não sou digno...” é que todos comungam juntos. Depois é servido o Cálice.
A Kamila rezando diante de Jesus na capela da hospedaria.
Foto: Nahor Lopes

Sacrário da capela da hospedaria. Foto: Nahor Lopes

Foto: Nahor Lopes

Pe. Francisco celebrando a Santa Missa matinal.
Foto: Nahor Lopes

Nossa turma defronte à capela monástica


            








         




        O mosteiro de Campo do Tenente: em 1977, 5 monges trapistas estado-unidenses partiram da Abadia de Genesee, em Piffard, NY, EUA, para a cidade de Lapa-PR, fundando um mosteiro. Em 1983 mudaram-se para Campo do Tenente, cidade vizinha, onde encontram-se até hoje.

            Informações:
   Dom Bernardo Bonowitz OCSO (abade) e Ir. Gabriel OCSO (prior) – novomundo@mosteirotrapista.com.br / (41) 3628-1264 / http://www.mosteirotrapista.com.br
            Pe. Estevão OCSO (hospedeiro) - hospedaria@mosteirotrapista.com.br
            Hospedagem: eles não cobram um valor fixo para a hospedaria, mas deixamos cada um R$ 50,00 para os monges.


            6º, 7º e 8º dias (9, 10 e 11/01) – Abadia da Ressurreição – Ponta Grossa-PR

Torre da capela vista a partir da clausura. Foto: Gabriel Berlatto

            Saímos antes das 9h de Mandirituba, chegando em Ponta Grossa por volta das 11h15. Os monges nos receberam e logo nos instalamos na hospedaria, depois participando da Tércia, seguido de almoço na hospedaria, onde os irmãos traziam o almoço e vinham recolher as bandejas depois. O local é grande: há um bosque enorme para andar, contemplar a natureza e rezar. Em todas as orações dos monges era utilizado o órgão, com melodias belíssimas.
Entrada do mosteiro. Foto: Nahor Lopes

Bosque. Foto: Nahor Lopes

Essa cachorrinha é a piedosa. Acompanhava
todas as orações. Foto: Lucas Teixeira
Interior da capela monástica. Foto: Nahor Lopes

Cemitério dos monges. Foto: Nahor Lopes

Portaria e entrada da loja do mosteiro. Foto: Gabriel Berlatto

            Há uma lojinha no mosteiro, onde vendem produtos variados, desde artigos religiosos, camisetas, bem como panettone e pães feitos pelos monges, além de vinho, licor e suco de uva. Os cd’s do Mosteiro da Ressurreição, conhecidos em todo o país, estavam lá disponíveis.
            No sábado tivemos a graça de sermos convidados pelo Ir. Gabriel OSB para conhecermos a clausura do mosteiro. Um momento muito especial para o nosso grupo! O silêncio e a paz reinavam naquele local divino!
Santa Missa matinal. Foto: Nahor Lopes

Claustro. Foto: Nahor Lopes

Claustro. Foto: Nahor Lopes

Biblioteca do Mosteiro. Foto: Nahor Lopes

A Abadessa. Essa manda em tudo por lá. Foto: Gabriel Berlatto.

Eu entre dois monges. Foto: Lucas Teixeira

Casulas na sacristia do mosteiro. Gabriel e Lucas quase piraram.
Foto: Gabriel Berlatto
 
Coro dos monges com o báculo do abade ao fundo. Foto: Gabriel Berlatto



            
      







            







            O que é a Ordem de São Bento? Fundada por São Bento de Núrsia por volta do ano 529, na Itália, quando compilou sua famosa regra. É baseada no princípio Ora et labora (do latim, “Reza e trabalha”). Foi uma das primeiras instituições a conciliar a vida comunitária com a vida monacal.

Hospedaria onde ficamos. Foto: Gabriel Berlatto
Nossa turma na clausura. Foto: Ir. Gabriel OSB
            Sobre o Mosteiro de Ponta Grossa: em 1981, 9 monges partiram de São Paulo para Ponta Grossa, dentro do interesse do então bispo de Ponta Grossa, Dom Geraldo Pellanda, instalando-se no Santuário de Vila Velha até 1985, quando foi inaugurado o Mosteiro no local onde se encontra atualmente. Os monges estão agora construindo um novo mosteiro no distrito de Itaiacoca em Ponta Grossa, devido ao atual local já estar próximo do perímetro urbano.

            Informações:
            Dom André Martins OSB (abade) e Dom Rafael OSB (prior) – (42) 3228-9015 e (42) 3228-0043 / hospedaria.mr@gmail.com
          Hospedagem: não foi cobrado um valor fixo, mas deixamos R$ 50,00 cada um para os monges. Inclui todas as refeições. A partir de março de 2015 eles irão cobrar R$ 55,00 a diária.


            Finalizando...
            No dia 11/01, depois do café da manhã, partimos para Curitiba, onde participamos da Santa Missa na Igreja da Ordem, no centro da capital paranaense, almoçamos e depois partimos com um trânsito tranquilo para Itajaí, vendo a belíssima paisagem da serra do Mar, chegando por volta das 15h30.
            Cada um de nós levou por volta de R$ 500,00 na viagem, e nossa média de gastos foi entre R$ 480,00 (com variações entre cada um). Gastamos em torno de R$ 250,00 de gasolina na viagem (o carro era um Suzuki Sx4). Pegamos alguns pedágios: um em Araquari-SC, outro entre Mandirituba e Ponta Grossa e alguns entre Ponta Grossa e Curitiba. A dica para esta viagem é que se faça em grupo e os gastos tornam-se mais tranquilos.

            Nossas distâncias (valores aproximados)
1)      Entre Itajaí-SC e Rio Negrinho-SC: 174 km
2)      Entre Rio Negrinho-SC e Mandirituba-PR: 72 km
3)      Entre Mandirituba-PR e Campo do Tenente-PR: 53 km
4)      Entre Campo do Tenente-PR e Ponta Grossa-PR: 130 km
5)      Entre Ponta Grossa-PR e Curitiba-PR: 117 Km
6)      Entre Curitiba-PR e Itajaí-SC: 212 Km
Um total aproximado de 758 km.

            Foi uma viagem história e inesquecível para nós, que fica de opção para quem quer fazer uma viagem espiritual e aprofundamento de sua fé, através do silêncio, contemplação e oração, além da Santa Missa diariamente, bem cedinho.
            Deus seja louvado pelas santas almas dos monges e monjas que nos acolheram com carinho e que possamos cada vez mais cultivar e aprender com a sabedoria deles a ser mais humanos, felizes e valorizarmos a riqueza que existe na Igreja Católica.

 Um clip com trechos de momentos de oração nas 4 casas que passamos

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1 OCSO: Sigla para Ordo Cistercisensis Strictioris Observantiae, traduzido do latim “Ordem Cisterciense da Estrita Observância, nome oficial dos(as) Trapistas.
2 SCJ: Sigla para Sagrado Coração de Jesus, congregação fundada pelo Pe. Leão Dehon na França em 1878. Conhecidos como dehonianos.
3 MOPP: Missão Operária São Pedro e São Paulo, uma instituto de padres fundado em 1955 pelo frei dominicano Jacques Loew, onde os sacerdotes deste instituto trabalham como operários de forma comum, evangelizando em seu trabalho.