sexta-feira, 15 de maio de 2015

Intervenções de Santa Teresinha do Menino Jesus na Primeira Guerra Mundial



            Irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face (1873 – 1897) é uma das mais populares santas católicas do mundo contemporâneo. Viveu apenas 24 anos e praticamente a maior parte da sua vida na cidade de Lisieux, onde por 9 anos esteve no Carmelo dessa cidade. A espiritualidade de Teresa e a profundidade de seus escritos influencia até hoje o pensamento católico.
            A devoção à Santa Teresinha se expandiu da França para o resto do mundo por um fato curioso, quase desconhecido: soldados franceses que lutavam nas trincheiras durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) sentiram durante o conflito a intercessão da santa, e em agradecimento, enviaram cartas ao Carmelo de Lisieux. Com tantas cartas, o Carmelo um dia decidiu compilá-las num documento chamado Pluie de roses (“Chuva de rosas”, uma expressão de Teresa antes da morte), onde já estavam anexadas também outras correspondências de graças alcançadas dos anos 1906 a 1912. Pluie de roses foi publicado até 1926, totalizando 10 volumes, com 3200 testemunhos.

            Esse assunto despertou-me curiosidade após ter sido citado pelo meu mestre no Postulantado, Pe. José Napoleão, SCJ, durante uma formação. Fui então, em busca das cartas e traduzi alguns desses relatos, que você pode encontrá-los na íntegra do Pluie de roses, através do link http://www.abbaye-saint-benoit.ch/saints/carmel/thereseenfj/pluieroses/guerre/guerreindex.htm (os relatos estão todos em francês)

***


Campo de prisioneiros de guerra, Meiringen (Suíça), 8 de março de 1916.

            Feito prisioneiro em Maubeuge, em 8 de setembro de 1914, eu fui internado em Friedrichsfeld. Uma noite do mês de junho de 1915, deixando a capela, depois de uma fervorosa oração à Irmã Teresa, para não ser enviado a trabalhar nas usinas da Alemanha, fui tomado por um forte odor de rosas. Ora, eu estava rodeado de uma cabana em madeira, sem nenhum jardim nas imediações; o suave perfume se prolongaria quase meia hora. A santinha aceitou assim, com certeza, que ela tinha escutado minha súplica. De fato, no dia seguinte, convocado para a visita, o doutor não olhou para mim, e enquanto muito dos meus camaradas foram designados para partir, eu fui classificado como um doente velho, e enviado para a Suíça. No entanto, minha saúde é muito boa.
            Eu agradeço muito à pequena Irmã Teresa desse duplo previlégio.

Edouard Dekonne,
soldado internado, 
Hôtel Anderegg.  Meiringen (Suíça)


Do front, 28 de julho de 1917.

            Soldado belga, muito confiante em Irmã Teresa do Menino Jesus, eu gostaria de assinalar a proteção notável da qual fui o objeto recentemente, em frente à Dixmude.
            Eu estava nas trincheiras, por volta das 8:30 da noite, quando um bombardeiro de uma violência enorme se desencadeou sobre nós. Uns projeteis de grande calibre caíram aos milhares nos arredores do abrigo frágil, onde eu vinha me refugiado, explodindo de todas as partes, umas por cima das outras, ou nos lados, ou no parapeito da nossa linha, enquanto que um torpedo se afundava na terra, cavando enormes buracos. Se somente um destes projeteis tivessem passado no meu abrigo, eu e meus camaradas estaríamos perdidos. Mas eu rezei à Irmã Teresa e ela desviou todos, enquanto que todas as trincheiras próximas foram arrasadas, sem exceção de uma só!
            Nós estávamos, sob o fogo incessante, depois de quatro longas horas, num estado de angústia e de nervosismo que pressentia, quando implorei para a santinha não somente de nos proteger, mas de fazer cessar o bombardeio terrível. E bem, eu afirmo que no mesmo instante onde eu fazia esta oração, a voz do canhão se desacelerou, e três minutos mais tarde, mais um só tiro não foi dado.
            Jamais vou esquecer deste milagre da Irmã Teresa!
             
A. Docobu,
6e Brig M. V. D. 
D. 110. Exército belga.



Nos Exércitos, 8 de setembro de 1917.

Senhora Superiora,
           
            Eu li na imprensa, nos últimos tempos, diversas comunicações a respeito da Irmã Teresa do Menino Jesus, e, no momento onde todos os lados afirmam seu poder, eu não posso deixar de reportar um grande testemunho de sua glória.
            Nas primeiras semanas desta grande guerra, eu recebi de minha noiva uma relíquia de Irmã Teresa e sua imagem, e a carta que as acompanhava me dizia: “Guarde-as valiosamente e nunca separe-se jamais, eu tenho certeza que a pequena Irmã te preservará.”
            Depois, eu sempre as conservei comigo, e veio um dia onde eu senti um modo evidente a proteção que eu tinha.
            Foi no último maio; meu departamento de ligação me chamou a um posto remoto de poucos quilômetros de onde eu me encontrava. No caminho, fui subitamente surpreendido por uma terrível ação conjunta de soldados, algo terrível; primeiro, eu me joguei em um buraco; em seguida, entre balas, eu queria achar um abrigo próximo, mas, quando eu estava entrando, vi um soldado escondendo-se sob uma árvore caída, gesto que convidava-me a acompanhá-lo. Levou-me embora, porque alguns minutos mais tarde, o abrigo onde eu pretendia refugiar-se desmoronou sob o fogo e matou todos os ocupantes... eu ainda tremo só de pensar no que teria acontecido comigo, e aqui no meio da metralha neste dilúvio de fogo, sem sequer tendo pensado de invocar a santa carmelita, sua imagem tomou forma diante dos meus olhos, e uma voz interior me disse: “E a pequena irmã Teresa te salvou.” Então eu não pensei sobre isso, como explicar esta misteriosa voz convidando-me para agradecer? Pareceu-me uma intervenção real da querida santa, e eu ofereço-lhe o tributo de minha imensa gratidão.
            Atenciosamente,

            H. Rocher, brigadeiro,
            51e rég. d'art., 71e Brie.


***

            Muitas dessas graças também foram comunicadas ao papa Bento XV, como você pode ver clicando AQUI que te encaminhará ao link que contém os relatos (em francês). Durante e após o conflito, também muitos soldados foram ao túmulo de Teresa no Carmelo agradecer a ajuda espiritual.
Grupo de soldados visitando o antigo túmulo de Teresa no
Carmelo de Lisieux, por volta de 1915.

            Santa Teresinha, a doutora do Amor, que não deixou de trazer esse dom em meio à guerra e sofrimento! Rogai a Deus por nós!


Referências Bibliográficas

Cartas das trincheiras. In: http://www.arautos.org/artigo/63980/Cartas-das-trincheiras.html, acessado em: 01/05/2015, às 22h30.

Les pluies de roses. http://www.archives-carmel-lisieux.fr/carmel/index.php/miracles/les-publications-pluies, acessado em: 11/05/2015, às 13h15.

Pluies de roses. http://www.abbaye-saint-benoit.ch/saints/carmel/thereseenfj/pluieroses/index.htm, acessado em: 02/05/2015, às 22h30.


Suppliques des soldats de la 1ère Guerre au Pape Benoît XV. http://www.archives-carmel-lisieux.fr/carmel/index.php/apres-1897/la-1ere-guerre/suppliques-des-soldats-de-la-grande-guerre-au-pape, acessado em 10/05/2015, às 20:00.


2 comentários:

  1. Teresinha é demais!!!

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  2. Ah, Irmã Teresa do menino Jesus, Rogai por nós!

    Irmã de fogo, amor, bonde, verdade, compaixão, nada mais que AMOR AO CRISTO.
    Com o seu amor, o mesmo amor que uma mãe tem por seus filhos, assim como María santíssima. Santa Teresa erá assim. Amava seus filhos. Bom coração e muito amor, movida pelo espírito santo.

    Como não amar uma Irmã assim?
    Amo demais. ��

    São relatos de intercessão, são relatos motivados pelo gratidão e Amor.
    Gostei muito da postagem.
    Que Santa Teresinha te cuida, Nahor Jr.

    "Compreendi que o Amor englobava todas as vocações, que o Amor era tudo..."

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